Nivaldo de Sousa

B&N: Prefeito, ainda repercute em Capivari e Tubarão os encontros entre você e o chefe do executivo da Cidade Azul, com o objetivo de, finalmente, construir uma ponte que ligaria os dos municípios. Como fazer a população acreditar que a obra sai desta vez?

Nivaldo de Sousa: Eu entendo que nós estamos no caminho certo. Primeiro que os dois municípios têm o interesse. Isso é o principal. Capivari e Tubarão querem fazer a ponte para que o fluxo do trânsito possa melhorar. Esse é o primeiro passo que nós conversamos. Há um envolvimento dos dois municípios. Nós estamos começando a elaborar o projeto. Trata-se de uma obra cara. A sua execução vai depender de recursos federais ou estaduais. Nós temos que ter o projeto em mão. Até agora se falou muito em ponte, mas o projeto em si, na realidade, não existiu. Então é isso que estamos fazendo. A Amurel está envolvida também. A Fucap, da mesma forma, está auxiliando. Enfim, estamos buscando o auxílio para que a gente diminua o custo desse projeto. Queremos viabilizar isso.

 

B&N: Existe um encaminhamento para que lideranças nacionais auxiliem vocês?

Nivaldo de Sousa: Já encaminhamos um documento elaborado por mim e pelo Joares (prefeito de Tubarão) para deputados. O deputado federal João Paulo Kleinubing (PSD) já recebeu. Também levamos em mãos ao senador Dário Berger (PMDB), para que ele coloque no orçamento da União algum recurso que possa ser destinado. Mas o primeiro passo é fazer o projeto. Aí podemos buscar algo. No futuro, claro, sonhamos com a construção dessa ponte.

 

B&N: Quando Capivari de Baixo era comandada por Luiz Carlos Brunel Alves e Tubarão por Pepê Collaço já não houve a confecção de um projeto?

Não. Não houve. A Amurel confeccionou apenas as medidas. Não fizeram sondagem, por exemplo. Não houve consolidação. Eram ilustrações, com medidas. E o projeto é primordial.

 

B&N: Em relação ao setor de saúde, como zerar as filas de exames e procedimentos na cidade?

Nivaldo de Sousa: Nós lançamos um programa, chamado “Saúde Humanizada”. Ele tem várias fases. Em uma delas vamos liberar exames que estavam retidos. Existe uma quantidade represada no município e o Estado joga tudo pra gente resolver. Aqui são 915 exames distribuídos em ressonância, tomografia, cateterismo. Muitos são caros e temos dificuldades de realizar em recurso próprio. Mas queremos zerar a fila para atender as pessoas que estão chegando agora. Imagina alguém entrar em uma fila e ficar desde 2015?!

 

B&N: E como vocês estão fazendo isso? Há recursos?

Nivaldo de Sousa: Cortamos secretarias e cargos comissionados. Buscamos economia. Isso deu R$ 500 mil por mês de recursos economizados. E estamos aplicando isso em vários setores do município, entre eles a saúde. Todos nós precisamos, todos os dias. Então reservamos cerca de R$ 150 mil para esse programa. Vamos zerar esses 915 exames, que estão dentro de um cronograma com procedimentos em clínicas e no Hospital Nossa Senhora da Conceição.

 

B&N: Você anunciou, há algumas semanas, que vai reabrir o Pronto Atendimento. Vi dar para mantê-lo funcionando sem outra interrupção?

Nivaldo de Sousa: Também faz parte uma saúde humanizada e de um compromisso que nós assumimos durante nossa caminhada na rua. Mas vamos abrir de uma forma plnejada. Está lá, em nosso compromisso. Aqui já se abriu o Pronto Atendimento várias vezes, por 24 horas. Mas não dá. Então a justiça nos autorizou a abrir por menos tempo. Nós entendemos que um dos maiores problemas que temos é durante a noite. Quando uns precisam de uma situação o posto de saúde não está aberto. E essas pessoas acabam indo para o Hospital de Tubarão. Mas sabemos que muitos casos podem ser atentidos aqui em Capivari de Baixo, através do Pronto Atendimento. O Ministério Público, portanto, autorizou que ele não precisasse funcionar durante 24 horas.

 

B&N: E, então, qual será o período de funcionamento?

Nivaldo de Sousa: Ele vai abrir 6 horas por dia. Das 18h às 24h. A justiça entendeu o pedido. Nós mostramos nossa arrecadação e despesas na saúde, onde gastamos, etc. Eles nos deram 90 dias para que nós façamos uma organização. Estamos comprando os medicamentos, tudo certinho, para que tudo dê certo. Entendo que até final de novembro já estaremos prontos para abrir o Pronto Atendimento. É um prazo combinado com Ministério Público.

 

B&N: Nesta semana você irá comemorar um ano da vitória nas eleições do 2016. Como quase nove meses de governo, já existe um parecer de como estava a cidade? Por exemplo, era pior que você imaginava?

Nivaldo de Sousa: Nós pensávamos que a situação financeira não estava tão ruim. Sabíamos das dificuldades dos municípios e Capivari não é diferente. A cidade ficou parada durante as últimas administrações. Além da gente pegar a prefeitura com uma grande dívida, o município estava destruído em todas as áreas. Não se tinha rua para andar, a cidade estava abandonada, com entulhos, dívidas. Enfim, prédios públicos caindo. Pregamos desde o início que era necessário fazer uma reforma administrativa e reduzir cargos comissionados. Nós viemos para cá fazer gestão, tanto que nós eliminamos várias secretarias, de 20 para seis. Nomeamos só quatro. Eliminamos mais de 100 cargos comissionados. Tudo que está sendo feito em Capivari de Baixo neste momento é por isso. Estamos pagando dívidas também. Pagando algumas e negociando outras. Seguiremos trabalhando com um número mínimo de cargos comissionados. Desde o primeiro dia que chegamos dissemos a eles que a folha salarial era sagrado e que era questão de justiça pagar em dia. Sempre pagamos no último dia do mês, sequer esperamos o quinto dia útil. Estamos fazendo e vamos continuar.

 

B&N: Existe um movimento na Câmara de Vereadores da cidade, prefeito, que visa reduzir custos. Alguns edis já anunciaram projeto para redução do duodécimo e congelamento de salários, deles e do executivo. Como o senhor vê isso?

Nivaldo de Sousa: Eu acho que tudo que é para reduzir despesa no serviço público é bem-vinda. Eu comecei a dar o exemplo, reduzindo o número de cargos de 226 para 100. E hoje só 50 são nomeados. Então tudo que vem, desde redução até congelamento é bom. Mas temos que ter cuidado em relação ao congelamento de salários. Nós temos, hoje, 780 efetivos. Eles já estão há um bom tempo sem aquele salário que merecem ganhar. Porém, esse ano, fizemos uma reposição salarial, dos últimos doze meses. Mas eu concordo com tudo que vem para reduzir e diminuir, seja no executivo, seja no legislativo. Em relação ao duodécimo já conversei com o presidente da Câmara e ele disse que vai sobrar recurso no fim do ano e eles irão devolver ao município. Ele vai ser destinado para atendimento da população. Uma coisa é certa: os recursos dos municípios estão cada vez mais escassos e o que nós temos que fazer é saber aplicar bem. E é isso que estamos fazendo em Capivari de Baixo.

 

Excelentíssimo Prefeito, Sr Nivaldo queremos deixar aqui nosso agradecimento por ter sido tão receptivo ao projeto de entrevista do site, bem como a toda sua equipe, que nos recebeu com muita gentileza e sempre demostrou disposição aos nossos pedidos. Esperamos que todos tenham gostado e vemos todos vocês na próxima entrevista.

nivaldo