Lucas Colombo

B&N: Quem é Lucas Colombo?

Lucas Colombo: Pergunta difícil. Mas acredito que uma pessoa inquieta e que busca aprender em todos os momentos. E que procura viver esses momentos.

B&N: Qual é a sua cidade de origem e como é sua relação com ela?

Lucas Colombo:  Minha cidade de origem é Criciúma, mais precisamente o Rio Maina. Ainda vivo no mesmo lugar em que cresci e vivi muitas aventuras e tive os melhores amigos que poderia pedir. É realmente especial o Rio Maina para mim.

B&N: O Seu sobrenome é bastante conhecido principalmente no Rio Maina, mais alguém em sua família se destacou de alguma forma que você gostaria de mencionar?

Lucas Colombo:  Minha família é de guerreiros, então tenho muitas pessoas que poderia destacar. Mas vou falar da  minha mãe Angela Maria, a dinda, que lutou muito para nos criar, junto com meu pai Edson. Que batalharam muito para construir a nossa família. Eles são meus exemplos. E claro tenho tios, primos e irmãos que se destacam nas áreas em que atuam. Como falei e gosto de repetir, minha família é de guerreiros. E teimosos, daqueles que não desistem.

B&N: Como foi sua infância?

Lucas Colombo:  A minha infância foi sempre rodeada de amigos e regada a muito futebol, video game e diversas outras brincadeiras. Joguei no time do bairro, jogávamos futebol todos os dias. E a noite sempre rolava um esconde esconde ou algo do gênero. Levo com carinho todos os meus amigos da rua e do meu bairro. Foi sem dúvida uma das melhores fases da minha vida.

B&N: Como foram suas primeiras experiências profissionais?

Lucas Colombo:  Foram gratificantes. Comecei como torneiro mecânico, já que havia feito curso técnico na área na Satc. Porém quando comecei a graduação em jornalismo e o estágio, na Prefeitura de Criciúma me apaixonei pela profissão. E foi onde descobri a fotografia. Aprendi e aprendo muito.

B&N: Sabemos que você trabalhou e trabalhou em Jornais da Região.  Como você analisa o momento atual dos jornais de nossa região?

Lucas Colombo:  Assim como toda as áreas, vejo que a crise trouxe um impacto negativo em nosso setor. Comparo com o impacto na área automobilística. Tivemos jornais fechando, e todas as empresas, praticamente, reduzindo seus profissionais ou buscando economizar de diversas formas. Quando comecei a redação em que trabalhava, por exemplo, tinha dois fotógrafos. Hoje não tem mais. Com a reação da economia acredito que voltemos a crescer. Estamos em um período de transição. O online e o tradicional. E ninguém encontrou a fórmula para balancear isso.

B&N: Sua formação é jornalismo, mas se pudesse escolher outra coisa o que provavelmente seria?

Lucas Colombo:  Hoje, acredito que Educação Física ou Direito. Um pelo amor ao esporte e outro a política. Por isso, gosto do jornalismo que me proporciona viver estes dois mundos.

B&N: O que mais lhe agrada na sua profissão?

Lucas Colombo:  As pessoas. Escolhi o jornalismo pensando em contar histórias. Todos os dias descobrimos e nos emocionamos com novos personagens. Não temos uma rotina definida. E vivenciamos tudo. Já tive que cobrir de homicídios a títulos do Criciúma, por exemplo. E o jornalismo me proporcionou, além de tudo, contar e deixar grafado para o futuro a história de pessoas anônimas que ajudaram a construir nossa cidade. Nesse começo de ano, alguma delas vieram a falecer e tenho certeza que seus familiares olharam com orgulho aquelas páginas. É uma sensação diferente.  Como quando entrei em uma casa de uma senhora da pastoral da saúde, a dona chiquinha e vi uma das minha matérias emolduradas. Isso é o que nos move. Sou uma pessoa inquieta e no jornalismo consigo extravasar isso. E o melhor, consigo conhecer e aprender todos os dias com histórias e pessoas fantásticas. Já me emocionei muito.

B&N: Qual sua maior paixão?

Lucas Colombo:  Minha maior paixão é a vida. Porque foi através dela que pude conhecer diversos lugares do mundo e conhecer diversos mundos em um lugar. Vejo cada pessoa como um universo e em cada uma busco um aprendizado. Todos os dias quando abro os olhos e percebo que mais um dia começou, apesar da preguiça, eu sinto alegria. Alegria de poder desfrutar de tudo isso novamente. De poder conversar, abraçar e ver tudo o que o mundo e as pessoas tem a nos oferecer. De ver uma grande partida de futebol ou outro esporte. Poder beijar o amor de minha vida. Poder abraçar as pessoas que mais amo, minha família. Escrever minhas crônicas e poesias. Eu amo viver e busco cada dia, fazer jus ao presente que Deus me deu. Já que acredito, sim, nele. Temos uma oportunidade incrível e que nem sabemos ao certo como nos foi dada e nem quando nos será tirada. Então bora aproveitar.

B&N: Qual é o seu maior sonho, algo que você ainda não tenha realizado?

Lucas Colombo:  Vencer na Mega Sena! (Brincadeira) Acho que viajar o mundo fotografando e contando histórias. E trazer, depois, essa experiência para modificar a minha cidade, meu bairro e meu país. Ajudá-lo a crescer.

B&N: Quais suas maiores conquistas profissionais?

Lucas Colombo:  Já ganhei algumas vezes o prêmio Acic de jornalismo na categoria foto e texto e uma vez fui campeão regional do prêmio FATMA na foto. Porém, acredito que minha maior conquista profissional vem dos corações que as imagens e matérias que escrevo ajudam a tocar. Lembro de uma vez em que acompanhei, junto com a repórter Mayara Cardoso, uma visita dos  Médicos da Alma ao Hospital São José e em um dos quartos encontramos uma senhora super animada que colocou os óculos e chapéus engraçados e sorria e se divertia demais. Fotografei ela naquele clima maravilhoso. Ela estava com câncer, se não me falha a memória. A filha dela nos contactou e encaminhamos as fotos para ela. E quando recebeu as fotos, ela nos agradeceu e muito por termos registrado aquele que foi um dos últimos momentos daquela senhora. Ficamos muito emocionados. Acredito, ser isso, o maior troféu.

B&N: O que você projeta para o futuro?

Lucas Colombo: Eu tenho diversos projetos em áreas distintas. Mas prefiro me concentrar, no momento, em meu trabalho no Jornal Diário de Notícias e no começo da minha empresa, juntamente com o Mateus Mastella, a MC10 Assessoria e Marketing Esportivo. Já que os ventos sempre insistem em mudar nossos planos.

B&N:  Você já viajou para fora do Brasil. Se fosse escolher viver em outro pais onde seria? Qual cidade e por quê?

Lucas Colombo:  Eu voltaria para Dublin, na Irlanda. Me adaptei muito bem a cidade, ao estilo de vida e as pessoas. É um país especial rodeado de belezas naturais e de tirar o fôlego. É uma ilha muito boa de morar. E com o tempo você aprende a amar cada canto da Ilha da Esmeralda.

B&N: Prefere Campo ou Praia?

Lucas Colombo:. Onde meus amigos estiverem.

B&N:  O que precisa ser feito para que o eleitor recupere a confiança nos partidos políticos.

Lucas Colombo: Na minha concepção o primeiro ponto seria uma reforma que permita a existência de um número máximo de partidos. A mudança de pensamento dentro de cada sigla. E o fim das coligações. É uma aberração. Temos no mundo, acredito, três ideologias centrais. A direita, a esquerda e a liberal. Dentro dessas ramificações temos diversas crenças. Porém isso não é motivo para que exista diversos partidos. O primeiro passo, porém, ao meu ver, seria o fim das coligações. Se você criou um partido é porque tem um programa diferente dos que já existem e se, teoricamente, assim fosse, porque se coligar? Quando dois partidos se coligam existe, apenas, um princípio: o poder.

B&N: Sabemos que nem tudo são flores, tem alguma passagem que te marcou de forma diferente, positivamente ou negativamente?

Lucas Colombo: Quando estava em Paris, com meus amigos, em um mochilão fomos as Catacumbas. Um local subterrâneo com diversas galerias onde foram colocados os ossos dos cemitérios da cidade, desde a época medieval. Pude andar por um labirinto de paredes feitas de esqueletos. Em algumas delas as caveiras formavam um coração. Pessoas que passaram pela terra em 1700, 1800 e por aí vai. E ali longe de tudo não era possível distinguir que era o que. Quem era rico ou pobre, médico ou faxineiro, policial ou bandido, político ou meretriz… E isso me marcou muito. Já que provou que no fim, somos todos iguais. Essa é uma das tantas coisas que já vivi.

B&N: Gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que acompanham o nosso site?

Lucas Colombo: Gostaria de dizer que podemos mudar a sociedade no nosso dia a dia. Nossa cultura está equivocada. Somos um país pobre que se não se unir nunca crescerá. O individualismo é o que acaba com o “sonho brasileiro”. Durante um protesto, contra o fechamento de uma unidade hospitalar em que pararam a BR101, ouvi algumas pessoas que estavam transitando na rodovia dizerem: “Mas eu não tenho nada a ver com isso, moro em outro lugar”.  Sem levar em conta o impacto do fechamento daquela unidade para toda a região. E, se por acaso, essa pessoa se acidentar nas redondezas para onde a ambulância o levará? O brasileiro reclama quando não se faz nada, e quando se faz reclama porque são “um bando de desocupados”. Temos que aprender que a Democracia é a congruência de ideologias. E que nem uma ou outra está completamente certa. E que precisamos disso, como precisamos do bem e do mal. E vamos em frente!

Querido amigo Lucas, queremos deixar aqui nosso agradecimento por ter sido tão receptivo ao projeto de entrevista do site, já trabalhamos contigo e sabemos o valor de suas palavras e de seus atos. Muito obrigado por aceitar nosso convite. Agradecemos de coração e ficamos sempre a sua inteira disposição.

Aqui terminamos a entrevista com esta incrível pessoa, esperamos que todos tenham gostado e vemos todos vocês na próxima entrevista.