E-book 1 Sabe o que eu penso

Atenção: Esta é uma obra de ficção, os nomes e as imagens são meramente ilustrativa e não tem nenhuma relação com pessoas ou acontecimentos da vida real.

Capitulo 1

Oi.

Eu.

Há muito tempo atrás, quando eu tinha 17 anos, (hoje tenho quase 50) escrevi um livro. Uma história legal, em uma máquina de escrever antiga, em uma casinha pequeninha, que era meio depósito, meio oficina, na época nos chamávamos de paiol. Depois do livro pronto eu li e reli várias vezes e não gostei do resultado final, por dois motivos, primeiro porque eu queria ilustrar o livro, mas como eu nunca soube desenhar, tive a ideia de recortar gravuras de revistas Veja, desenhos de gibis, etc, mas como nem sempre eu achava o desenho que queria expressar minhas ideias, muitas vezes eu tive que adaptar minhas ideias às gravuras que encontrava, e que achava que iria ficar legal no livro, resultado criei um Frankenstein, uma colcha de retalhos de imagens e ideias absurdas, ou seja uma porcaria.

O segundo motivo que não gostei do resultado final foi que não consegui passar a ideia inicial que tive ao escrever o livro, mas isto é um assunto mais complexo para falar agora assim de início. A verdade é que passados mais de trinta anos, muita coisa mudou, não dependo mais da tranqueira que era a máquina de escrever, hoje tenho uma pessoa super especial que pode ilustrar minhas ideias e tudo isto me motivou a uma segunda tentativa de dar a ideia inicial novamente vida, já que aquelas folhas acabaram se perdendo, mas o sonho de concluir esta estória nunca se perdeu.

A cada semana, irei escrever um capítulo aqui, não sei se vou concluir. Não sei se vou conseguir, por ora só posso afirmar que vou tentar.

Não estranhe se o livro for mudando mesmo depois de você começar a ler, pois irei editar sempre que achar necessário, assim será uma estória dinâmica e talvez a mesma estória que você está lendo não seja a mesma estória que você já leu a semana passada, talvez não seja a mesma estória que você acabou de ler. Vai dar certo? Não sei. Você sabe? Você sabe o que eu penso.

 

Capitulo 2

Eu.

Os outros.

Eu vocês me conhecerão no decorrer da estória, eu sou mais narrador que protagonista, eu tentarei entender e explicar como tudo aconteceu.

Eles. Eles são os demais participantes desta aventura. Nota: esta estória é totalmente fictícia, mas resolvi colocar em alguns personagens o mesmo nome de alguns amigos de infância meu, pois descobri que criar nomes para os personagens não é tão fácil quanto parece, portanto apesar de alguns conhecidos meus identificarem nomes, os fatos nunca ocorreram, a não ser em minha fantasia e agora nestas linhas.

Ela. Ela se chamava Taj, igual ao templo, e realmente ela tinha uma áurea mística. Seus cabelos eram fininhos e claros, não totalmente loiros que nós chamamos de galego, nem totalmente pretos. Seus cabelos eram, ou pelo menos eu acho que eram macios, pois nunca saberei, pois nunca os toquei. Ela era muito feliz. Irradiava confiança, delicadeza e mais um milhão de predicados e qualidades que todos diziam que só eu enxergava. Não lembro há quanto tempo a conhecia, nem como entrou na minha vida, só lembro que parecia que ela sempre foi minha amiga. Que mais falar dela? Nada e tudo. No decorrer disto tudo saberemos mais.

Os outros. Os outros eram Sandy, Zé da Baga e Tedo. Sandy era morena, não muito alta, e eu desconfiava dela. Desconfiava do que? Não sei, só sei que confiança era algo que Sandy não me inspirava, mas éramos todos amigos, e amigos tem que confiar uns nos outros e era assim que eu desejava que as coisas fossem. Tedo era o mais alto de todos nós, era magro, muito magro, (normalmente a pessoa alta é magra) e era muito inteligente, era justo e equilibrado, sabia agir com calma sempre que necessário e tinha uma facilidade de fazer amigos. Tudo isto tornava ele, um líder natural do grupo, sem notar e sem fazer esforço ele liderava e nós éramos liderados. Zé da Baga, seria, se fossemos um grupo como o do scooby doo, o salsicha. Vivia sempre meio bêbado, era meio sem noção, mas tinha o coração bom. Via as coisas sob uma ótica diferente, talvez causada pela bebida, mas era uma ótica que as vezes ajudava (desnecessário dizer que as vezes atrapalhava.)

Este era o grupo. O ambiente era a redação de uma revista, e tudo corria às mil maravilhas (ou seja, toda edição correr atrás feito uns loucos de matérias interessantes e patrocinadores para os espaços comerciais) com poucos recursos e muita vontade, fazíamos a cada edição um sonho novo se realizar, e mal terminávamos uma matéria, uma capa, uma revista, já estávamos com a cabeça na próxima matéria, capa, edição.

E foi assim, no meio da correria de um dia normal de trabalho, cada um desempenhando sua função, eu coordenava e escrevia, Taj escrevia e revisava, Tedo vendia os espaços, zé da baga distribuía e Sandy se equilibrava entre os boletos bancários e contas a receber, nos passando diariamente relatórios de nossa situação financeira, que melhorava um pouco a cada dia, mas que não dávamos bola pois todos trabalhávamos por um ideal. Como dizia, foi assim que tudo começou…

– Pessoal, vamos nos organizar. Gritava eu, no meio da gritaria, mas já sabia, por experiência própria, que organizar aquela reunião de pauta era das tarefas mais difícil. Toda semana era assim, todo mundo queria falar sobre o seu setor, achando que era o mais importante e parecia que somente eu sabia que todos os setores eram importantes, voltei a gritar, no meio da gritaria que havia aumentado.

– Pessoal, por favor, vamos nos organizar.

A gritaria se transformou em conversas, as conversas passaram a ser mais baixas, mais escassas até que silenciou, como eu não perdia uma piada, comecei falando.

– Vamos começar pelo meu setor, já que é o setor mais importante da empresa… e a gritaria recomeçou.

Foram longos minutos onde ninguém se entendia, eu já tinha me arrependido de ter dito aquilo e agora realmente não estava mais conseguindo controlar a reunião até que todo mundo fez silêncio ao mesmo tempo. Isto acontecia sempre que tocava a companhia, indicando que alguém havia entrado na recepção, podia ser um cliente pensou Tedo. Pode ser um cobrador pensou Sandy, pode ser uma reclamação pensou zé da baga, não sei o que Taj pensou, mas eu pensei, que bom vamos poder começar a reunião. Enquanto isto Taj levantou-se e foi para a recepção.

Ficamos todos em silêncio e ouvimos Taj, com sua voz que eu achava linda e macia e que os outros achavam normal, dizer:

– Pois não, em que posso ajuda-la?

 

Capítulo 3

Tudo começa.

Começam as dúvidas.

Ela era bonita, muito bonita, estava bem vestida, sem ostentação mas podíamos perceber que ela era rica. Estava um pouco nervosa, ou pelo menos tentava aparentar calma, Taj havia deixado a porta entreaberta atrás de si, e isto foi tudo que pude ver. Taj encostou a porta discretamente e ela começou a falar.

Meu nome é Cristina, eu preciso…

Taj interrompeu…. Perguntou se não seria melhor ela sentar, ofereceu algo para beber, agua, café? Na sala de reunião estávamos super curiosos e aquela mania de Taj de querer tratar bem, de querer deixar a vontade nos irritou profundamente, pois aqueles rodeios fazia com que a nossa expectativa crescesse. Ficamos o mais em silencio possível para tentar escutar a conversa, mas parece que Taj, de propósito começou a falar mais baixo, incentivando Cristina a também falar baixo, e por mais que tentássemos ninguém conseguiu ouvir ou entender o que aquela linda mulher queria. Passados alguns minutos Taj entrou na sala e todos nós corremos cada um para seu lugar, fingindo estarmos fazendo alguma coisa, mas é claro que Taj não engoliu nosso disfarce e antes que pudéssemos perguntar alguma coisa Taj falou em um tom bem casual.

– É cada louca que me aparece.

Zé da baga deu uma olhada para fora da sala em direção à recepção e sua expressão dizia tudo. Cristina havia ido embora.

-Quem era? Perguntou eu, Tedo e Sandy quase todos ao mesmo tempo.

– Era Cristina? Respondeu Taj

Pensamos em falar, “isto nós sabemos, isto nós escutamos”, mas não falamos nada.

Tedo perguntou.

– E o que ela queria?

– Ah, era uma maluca, com uma história maluca, que estavam tentando ficar com o dinheiro dela, eu disse para ela procurar a polícia que aqui é uma revista não é delegacia.

É claro que ninguém engoliu esta versão de Taj. Aquela mulher havia contado alguma coisa, ela queria alguma coisa. Taj estava escondendo algo.

– Ok. Eu falo a verdade, Cristina disse que suspeitava que alguém estava tramando contra ela e o pior suspeitava de todos que conviviam com ela sem ter algo concreto para confirmar a suspeita, disse que talvez fosse só imaginação dela e eu realmente disse que ela precisava procurar a polícia, disse realmente que aqui é uma revista. Então propus a ela o seguinte. Nós vamos entrar em contato com ela dizendo que queremos fazer uma entrevista sobre seu modo de vida, assim temos uma desculpa para visita-la ao mesmo tempo que iremos conhecer melhor todos os envolvidos e saber se alguém realmente trama contra ela ou se é só imaginação dela. O que vocês acharam da ideia?  A entrevista vai ser paga.

 

Capítulo 4

 

A entrevista.

Conhecendo os outros personagens.

Estávamos em frente a um enorme portão no bairro mais rico da cidade. A entrevista havia sido marcada por fone e tínhamos chegado mais cedo do que o combinado, sugestão do Tedo que disse que se chegássemos mais cedo talvez pudéssemos notar alguma coisa diferente, mas acho que a estratégia não tinha funcionado, pois não notei nada de estranho, ninguém havia entrado ou saído da residência e passado algum tempo pensei dizer ao Tedo que estava tudo normal. Taj disse:

– Vamos tocar a companhia.

Não era uma pergunta era uma afirmação, toquei a campainha enquanto Tedo continuava a olhar em volta, fazendo provavelmente algumas anotações mentais. Depois de alguns segundos uma voz metálica saiu do interfone:

– Pois não. Em que posso ajudar?

Taj se adiantou e falou:

– Somos da revista bons & novos negócios, marcamos uma entrevista com Cristine ela deve estar nos aguardando.

– Cristine saiu, mas se vocês quiserem entrar e aguardar será um prazer atendê-los, pois ela não deve demorar a retornar.

O portão fez um “estralo” como se convidasse, ou permitisse que entrássemos. Entramos. Era um caminho relativamente curto entre o portão e o hall de entrada da casa onde um senhor nos aguardava. Taj ia na frente com passos decididos, eu tentava acompanha-la enquanto Tedo se detinha aos detalhes da casa, do jardim e por se ele muito alto, com mais uma esticadinha no pescoço, com o que havia para além do jardim e para parte de trás do terreno.

– Entrem, entrem.

Fomos recebidos com efusivos cumprimentos apesar de sermos totalmente estranhos, isto não me pareceu muito correto, pensei se seria verdadeira aquela alegria em nos ver, mas logo o dono da casa se explicou.

– Cristina estava muito empolgada com esta entrevista, falou nela o fim de semana inteiro, acredito que tenha ido a um salão de beleza para se preparar para fotos para a revista. Fiquei muito feliz em saber do interesse de vocês em entrevista-la, Cristina é muito mimada, precisa de atenção, e tenho certeza que vocês irão fazer uma matéria bastante positiva sobre ela e sobre o perfil dela.

– Só fazemos matérias positivas. Eu garanti.

Terminamos de entrar, comecei a fazer um retrato do perfil psicológico daquele homem a minha frente enquanto Tedo se ocupava dos detalhes daquela sala, daqueles móveis e daqueles quadros. Não era preciso ser um expert para ver que se tratava de uma família muito rica por isto não achei tão necessário que Tedo tivesse vindo pois algumas fotos do ambiente e estava feito o levantamento do local e isto seria facilmente conseguido quando Taj fosse fotografar a entrevistada, bastaria com sutileza enquadrar o máximo possível aqueles cômodos e o serviço estaria feito, se é que aqueles móveis e aqueles quadro iriam nos dizer algo. Me concentrei no perfil psicológico do dono da casa, isto sim seria importante eu pensei, isto nenhuma máquina fotográfica poderia captar, era no que ele não dizia que ele iria nos dizer o que queríamos saber…

Taj falou.

– O senhor nos desculpe virmos em três para esta entrevista, mas o trabalho de cada um de nós e importante para que possamos fazer uma matéria que realmente agrade a todos e neste caso quando digo todos estou falando da entrevistada, dos parentes e amigos dela, dos leitores e da direção da revista.

O dono da casa concordou, mas notei uma pequena mudança em seu semblante quando Taj mencionou os parentes e amigos da entrevistada. Só que ainda era muito cedo para eu tirar conclusões pois estes nuances na mudança do semblante das pessoas só fazem sentido depois que a conhecemos um pouco melhor e eu acabara de ver este homem pela primeira vez. Ou não? Comecei a me esforçar para lembrar onde já tinha visto aquele rosto antes quando Taj perguntou.

– O senhor me é familiar, acredito já ter visto uma foto sua em algum lugar.

– Com certeza – ele se adiantou, poupando-me de um esforço mental, já alguns anos tenho saído regularmente nas colunas sociais dos jornais desta cidade. Desde que casei com Cristine, meu rosto passou a ser mais conhecido, pois nosso casamento foi um fato que repercutiu na sociedade.

Agora eu estava lembrado, ele era conhecido pelo apelido de J.P, era um playboy, se casamento repercutiu pois Cristine era proprietária de diversos imóveis espalhados pela cidade, o que lhe proporcionava uma excelente renda em alugueis e arrendamentos. Ele, JP, ficou rico em um passe de mágica, com um simples sim ao altar e uma assinatura em frente ao juiz de paz. Restava agora descobrir se havia amor naquele relacionamento ou se era sou uma transferência de riquezas.

Agora que que lembrava dele, podia traçar melhor seu perfil, participava de festas quando era solteiro porque fez amizades com outros de sua idade que eram mais abonados, teve contato com as coisas boas da vida, tomou gosto e tenho certeza que faria qualquer coisa para poder desfrutar destas coisas. Minha mente começou a trabalhar e não percebi que Taj continuava a conversar com ele e Tedo continuava a percorrer aquela enorme sala lentamente, em busca de detalhes que depois somados a minha avaliação psicológica dos envolvidos poderíamos determinar se os medos de Cristine eram ou não infundados.

Ouvimos um som de automóvel chegando na garagem, Taj se adiantou dizendo:

– Deve ser Cristine.

– Não, não, este som é do motor do carro de meu filho, mas será um prazer apresentá-los a vocês.

Passados alguns minutos, um jovem parecendo ter vindo de um show de Rock entrou na sala. JP. Apressou-se em introduzi-lo na conversa.

-Filho, esta é uma equipe da Revista Bons & Novos Negócios, eles irão fazer uma entrevista com sua mãe e querem conversar contigo.

– E quem disse que eu quero falar com eles?

 

Capítulo 5

 

O filho.

Um doce rapaz ou seria engano meu.

Aquele rapaz me surpreendeu com aquelas palavras, a primeira impressão que tive dele era de um rapaz doce, gentil, incapaz de uma grosseria, mas como presenciamos ele se mostrou rude e arredio, mas ele deve ter um motivo para agir assim eu pensei.

Taj tomou a frente e falou com voz firme:

– Você não tem motivo para nos tratar assim, sua mãe nos falou muito bem de você e essa sua atitude não combina com o que ela disse, portanto, garotinho acho melhor o senho sentar aqui conosco e participar da conversa, iremos fazer uma entrevista com sua mãe você queira ou não queira.

O rapaz ficou surpreso, mas obedeceu. JP ficou admirado com a firme decisão de Taj e mais ainda com a atitude do rapaz, pois pelo visto JP esperava que o rapaz ficasse mais irritado e saísse da sala, mas isto, surpreendentemente não aconteceu.

– OK. Assim é melhor. Falou Taj. – Vamos nos comportar como adultos e civilizados, você Kado é filho de Cristine ok, iremos te fazer algumas perguntas enquanto aguardamos ela

Kado concordou com a cabeça, JP se aproximou um pouco mais dos dois e eu fiquei um pouco afastado, mas suficiente perto para poder ouvir as perguntas de Taj enquanto Tedo, discretamente passava da sala em que estávamos para um cômodo ao lado e foi se afastando aos poucos até que sumiu do meu ângulo de visão.

Kado, era filho do primeiro casamento de Cristine, seu pai um rico empresário que agora vivia nos estados unidos, lhe enviava dinheiro suficiente para viver com bastante conforto, como se precisasse, pois, Cristina também era dona de uma fortuna própria e dinheiro foi coisa que naquele primeiro casamento só aumentou. Enquanto Taj fazia as perguntas fiquei observando a reação de JP e de Kado, havia, com certeza uma certa animosidade entre eles, sei que é um clichê “ Padrasto/dinheiro /filho único do primeiro casamento, mas não consegui determinar até onde ia esta animosidade, pois ás vezes que JP interrompia a conversa, Kado não demonstrava irritação, pelo contrário, várias vezes concordou com as intervenções de JP.

Taj anotava tudo em um bloco, e eu por via das dúvidas deixei um minigravador ligado em meu bolso, se a hora que ela fosse montar a matéria faltasse alguma informação eu poderia recorrer a estas gravações.

Taj já tinha bastante material e deu por encerrada a entrevista, o clima na sala mudou, enquanto Taj baixou a cabeça e começou a fazer umas anotações, não pode perceber que Kado e JP olharam para mim com desconfiança, vou passar trabalho com estes dois eu pensei mas para não deixar o clima mais pesado resolvi fazer um comentário qualquer

– Seu pai costuma vir ao Brasil, Kado?  O comentário que era para ser casual e descontrair teve um efeito ao contrário e causou uma reação forte tanto em kado como em JP.

Se você está perguntado se ele vem ao Brasil resolver os problemas da empresa dele a resposta é sim, se você está perguntando se ele vem ao brasil nos visitar, a resposta é não.

Pensei em perguntar qual a razão de ele vir ao brasil somente para resolver os negócios da empresa e não vir visitar a família, mas achei melhor não perguntar pois senti pela reação dos dois que haveria muito ressentimento na próxima resposta.

– E porque ele vem só a negócios e não para visitar vocês? Perguntou Taj. Para minha surpresa JP e Kado suavizaram a resposta e eu fiquei pensando, “ porque todo mundo responde ríspido para mim e para Taj as pessoas parecem que se derretem e facilitam? Porque para mim as pessoas se fecham e tornam mais difíceis as descobertas e para Taj as perguntas são como chaves que abrem o interior destas mesmas pessoas. Porque, porque e porque eu não presto atenção no que eles estão falando agora em vez de ficar fazendo estas divagações. Taj olhou para mim e seu olhar parecia dizer, presta atenção no que eles estão falando que é o que você queria saber.

– Quando eu conheci Cristine ela estava recém separada, disse que seu ex-marido era muito dedicado as empresas e que estavam jogando fora os melhores anos de suas vidas, que dinheiro não era tudo o que ela queria e que ela praticamente viu sozinha Kado crescer enquanto ele fazia crescer a fortuna que já era enorme. Disse JP.

– Sim minha mãe estava separada a poucas semanas, mas meu pai tinha percebido o erro que tinha cometido e prometeu que iria mudar, iria se dedicar mais a família, somente iria se ausentar mais alguns dias pois tinha compromissos inadiáveis, mas que depois não iria mais se preocupar tanto com os negócios.  Foi nesses dias que ela conheceu JP, meu pai tem certeza que se JP não tivesse aparecido na vida de minha mãe ela teria se reconciliado com ele e ele teria cumprido sua determinação de mudar de vida e se dedicar mais a família. Disse Kado.

Eu ia aproveitar que eles estavam propensos a falar e começar a fazer mais algumas perguntas quando ouvimos uma voz forte na sala ao lado, para onde tinha ido Tedo. Corremos todos para esta sala ao lado e pudemos ver quem estava gritando.

– Quem é você? Apontando para Tedo e depois – Quem são vocês? Apontando para Taj e eu. E ao perceber que JP e Kado estavam conosco, diminui o tom da voz e carregou de ironia.

– Estão fazendo reuniãozinha e não me convidaram.

Baixei a cabeça e pensei mais um maluco.

 

Capítulo 6

O irmão

Mais um personagem, seu nome é Alannilsom.

Taj se dirigiu a ele com a mão estendida, J.P fez questão de se antecipar e apresentar aquela figura exótica que gesticulava no meio da sala, rodava para um lado encarando o Tedo, depois girava em torno do próprio corpo procurando meu olhar, mas sem se deter em ninguém de forma especifica, parecendo ao mesmo tempo querer confrontar todos naquela sala ou apenas ficar girando como uma biruta em dia de vendaval.

– Este é alannilsom, – adiantou-se JP em apresentar a figura rodopiante, ele é irmão de Cristina. Ao falar o nome daquela criatura, JP deu uma certa ênfase no final da palavra ilsom, e aquele nome que já soaria estranho na primeira vez que se ouve tornou-se uma verdadeira caricatura, combinando ainda mais com a personagem que o detinha.

– Meu nome é Alan A-Lan-nn !! Pelo A-m-o-r de Deus, – gritou ele com as mãos no rosto dando mais uma volta em torno de si e parando de frente para JP – E esses seus convidados quem sãos? Em seguida fez um gesto com as mãos que abrangia eu, Tedo e Taj e deu mais uma volta em cima de seus próprios calcanhares. Daqui a pouco ele vai entontar e cair eu pensei.

– Eles não são meus convidados – falou JP, – eles são convidados de sua irmã Cristine, eles vieram aqui para fazer uma entrevista com ela…

– Entrevista? Falou alannilsom, e seus olhos brilharam, com certeza ele gostava de holofotes, de fotos, de glamour.

– Sim entrevista, disse Taj e podemos fazer uma com você também, tenho certeza que sua história de vida é muito interessante, a propósito que nome diferente e bonito você tem. Taj era esperta, percebeu logo do que alannilsom gostava e jogou a isca, alannilsom caiu feito um patinho,

– Oh querida, uma entrevista comigo seria ótimo, muito obrigado pelo seu interesse e também por elogiar o meu nome, na verdade gosto que me chamem somente de Alan, é mais chique “bem”. O seu nome também é muito bonito, “Taj” é uma alusão ao Taj Mahal na índia, aquele templo Liiiiindo.

– Sr. Alan,- interrompi, pois Taj iria explicar a origem do nome dela, depois eles iriam perguntar a origem do meu e eu queria ir direto ao assunto pois viemos para entrevistar Cristine e não havíamos sequer visto ela ainda e Taj já estava prometendo mais entrevista, além disso, em poucos minutos eu  já havia traçado o perfil daquela figura na minha frente e com um sinal de cabeça Tedo já havido me avisado que tinha olhado quase tudo ao redor e não havia nada que pudesse chamar atenção então continuei..

– Sr. Alan, o senhor viu Cristine ou sabe que horas ela chega? Ele me olhou com desprezo, como uma borboleta enorme e colorida olharia para uma formiguinha insignificante e trabalhadorinha, mas conteve-se no sarcasmo.

– Não, não vejo minha irmã desde ontem à tarde. Não sei que horas ela chega pois não sei nem onde ela foi.

Depois virou-se para Taj e começou a falar em tom mais baixo, quase que iniciando uma fofoca, Taj piscou para mim, como um sinal para eu relaxar e começou a fofocar também em um tom cada vez mais baixo, neste momento olhei para JP e Kado, eles estavam trocando olhares disfarçados, desde que alannilsom disse que não sabia onde Cristine estava, os dois tinham permanecidos mudos, parados, e trocando olhares. Eles estão escondendo algo eu pensei. Depois me lembrei de um pensamento de Taj que sempre dizia que todo mundo sempre está escondendo algo.

– Venham comigo, venham começou a falar mais alto alannilsom, quero que vocês conheçam minha esposa, uma pessoa maravilhosa que tenho certeza que vocês vão adorar, ela deve estar no orquidário atrás de casa, cuidando de sua infinita coleção de orquídeas, menina, uma mais linda que a outra. E saiu da sala puxando Taj pelas mãos como um par de borboletas em direção a um jardim florido. Tedo foi atrás em seguida pois seria mais uma parte da casa que iria conhecer e eu sai atrás do Tedo e percebi que JP e kado ficaram um pouco para trás e começaram a conversar baixinho entre sim enquanto caminhavam a passos lentos em direção ao orquidário.

Na porta do orquidário que ficava nos fundos daquele enorme terreno, alannilsom começou a entoar palavras melosas, “floooor” “viiiiiiiiiiiida” e abraçava Taj e ria;

– Ela adora palavras assim carinhosas, você vai adorar ela. Colocava as mãos perto da boca formando um megafone imaginário e gritava

– doooooooooooooce. Dociiiiiiiiiiiiinho.

Fiquei imaginando como seria esta mulher, provavelmente a rainha mãe da floresta, seria a versão feminina do alannilsom elevado ao quadrado, já estávamos todos dentro do orquidário, alannilsom e taj já haviam desaparecido e reaparecido diversas vezes entre as filas de orquídeas em cima das mesas, Tedo foi em direção a uma parece onde havia muitas ferramentas cuidadosamente colocadas cada uma em seu devido lugar, mas notei que faltava uma delas, e notei também que as ferramentas eram um pouco grandes para um orquidário, estavam mais para ferramentas para cultivar um milharal, havia pás, enxadas, ancinhos, foices. Foices? Quem cultiva orquídeas com foices?  Tedo examinava tudo com muito cuidado e nada do “doooooooooooce” aparecer. JP e Kado ficaram mais perto da porta conversando.

A voz de alannilsom estava ficando impaciente chamando sua “flooooor” quando ela surgiu do fundo do orquidário.

– Ah você estava aí o tempo todo escondida de nós minha flor. Exclamou alannilsom, mas para mim ela não estava ali o tempo todo. A minha impressão é que ela acabara de chegar pelas portas dos fundos vindo de algum outro lugar.

– Venham conhecer minha “flor”, falou alannilsom para mim e para o Tedo.

Fui em direção a eles. Ok vamos conhecer a “flor” do alannilsom…

 

Capítulo 7

A cunhada.

Um personagem muito, mas muito intrigante.

 

Ela percebeu que eu já havia notado que ela não estivera ali o tempo todo e se apressou em dizer:

– Querido eu não estava aqui, estava lá fora, ouvi seu chamado e vim ver o que havia acontecido.

– E o que você estava fazendo lá fora minha floooooooor?  A pergunta de alannilson parece tê-la pego de surpresa, hesitou uns segundos, olhou para parede de ferramentas e disse.

-Estava procurando uma pá que está faltando aqui na parede, talvez estivesse no jardim. Dito isto me fitou seriamente, como a medir se a resposta tinha sido convincente e como se a esperar se eu iria questionar ou não a sua resposta. Na verdade, pensei em questionar, mas Taj se antecipou, estamos aqui para fazer uma entrevista e….

Alannilsom pulou na frente

– Você pode entrevistar minha flor.

– Não nada disso, não quero entrevista e nada de fotos. Ela pediu quando viu que Taj tinha ligado a câmera e o zoom automático se movimentou com um leve zumbido.

Ela era muito estranha, era totalmente diferente do que eu havia imaginado, era totalmente diferente de alannilson. Estava usando uma calça preta, muito justa e uma camiseta também preta, básica, também justa, o que delineava seu corpo perfeito. Seu nome era Letícia, respondia sempre com monossílabos, hãhã, sim, tá e etc. Olhava para Tedo com interesse e para mim com desconfiança. JP se aproximou por um lado e Kado por outro e ela ficou no meio. Ficou uma cena estranha, pareciam guardas costas, Leticia sorriu parecendo estar mais segura com a presença dos dois, um em cada lado e falou em um tom casual:

– Vamos para o jardim, tem uma mesa, cadeiras e uma sombra super refrescante, aqui na estufa logo, logo, vai ficar muito quente.

Principalmente para quem está toda de preto, eu pensei. Leticia saiu na frente com JP e Kado ao lado, em seguida saiu Taj e Alannilson, eu fiquei para trás com Tedo. Leticia disse que não queria ser fotografada, mas eu alcancei Taj e sem que ela percebesse, inclinei sua máquina fotográfica e apontei para porta, quando JP e Kado já haviam saído e Letícia estava sozinha. Fotografei. Mais tarde quando vi a foto, percebi que meu esforço tinha sido em vão. Havia muita claridade na rua, pois o dia estava bastante ensolarado e a foto tinha ficado somente uma silhueta, mostrando apenas a beleza do corpo de Letícia sem, no entanto, mostrar qualquer detalhe de sua aparência.

O jardim era muito bem cuidado, a sombra era realmente muito refrescante e novamente formamos uma espécie de grupinhos, em um lado da mesa estavam JP, Kado com Letícia no meio.  No outro lado da mesa Taj e Alannisom e um pouco de lado (pois a mesa a princípio era para 5 pessoas) ficou Tedo e eu. Todos os membros da família já estavam reunidos, se Cristine chegasse agora nós poderíamos concluir a matéria, Taj tinha pego algumas informações sobre cada um deles, Tedo havia olhado em volta de tudo e eu tinha tirado minhas conclusões, que não eram nada conclusivas sobre o caráter de cada um. Cristine deve ter dito algo a Taj e que Taj estava ocultando de nós. Cristine realmente corria perigo? De todos que estavam ali, eles simplesmente achavam que Cristine havia saído para ir provavelmente ao cabelereiro, mas ninguém tinha afirmado com certeza. Isto começou a me intrigar e pensei em fazer alguma pergunta mais direta, mais contundente, mas que pergunta? Para quem? Minha mente martelava uma estratégia quando foi interrompida pelo toque do celular do Tedo.

– Oi. Como é que é? Ok eu aviso. Tedo desligou o telefone e falou surpreso.

– Era o zé da baga, ele está na redação da revista, a polícia está lá também, disse que Cristine foi sequestrada e que o último lugar que ela tinha sido vista foi em nossa redação.

Todos ficaram surpresos, ou pelo menos demonstraram surpresa, mas foi somente Alannilsom que falou.

– Como assim sequestrada?

– Vamos voltar para redação? Taj falou,

– Tedo liga para o Zé da Baga diga que estamos voltando, vocês todos peço que fiquem por aqui, iremos conversar com a polícia e manteremos vocês informados.

Taj estava no comando, começara a distribuir ordens e tomar o controle da situação. Fiquei pensando uma coisa, faltou Taj dizer para eles “ Se Cristine ligar me avise”, ou “ se ela me ligar avisarei vocês”, mas ela não disse isto. Taj sabia que Cristine não ligaria. Deixamos aquela família para trás, Leticia no meio de Kado e JP olhando um para o outro e Alannilsom fazendo teatro, fingindo um princípio de desmaio, que ninguém deu a mínima.

Capítulo 8

Cláudio, o detetive.

Ele veio para solucionar tudo.

Fomos todos direto para a redação, eu fui o primeiro a entrar na sala de reunião e a primeira pessoa que me chamou a atenção estava sentado em minha cadeira, bem vestido e parecia nos aguardar. Quando entramos na sala ele se levantou lentamente e se apresentou.

– Meu nome é Cláudio, sou detetive investigador do departamento de defesa desta cidade. Vocês já devem saber do motivo de eu estar aqui certo? Disse isto com as mãos estendidas em minha direção. Apertei sua mão, me apresentei e apresentei os demais que estavam comigo.

– Esta é Taj, minha assistente, (todos me olharam, como assim assistente?) Mas ninguém falou nada pois perceberam que eu estava fazendo “grau”. Este é Tedo, (pensei em falar meu assistente também, mas Tai já estaria passando dos limites) ele é meu sócio.  Os demais o senhor já deve ter conhecido, zé da baga e Sandy.

– Sim, sim, muito interessante a sua equipe e todos muitos competentes, espero que usem esta competência toda para me ajudar e não para me prejudicar.

Gostei dele, foi indelicado, mas foi direto. Elogiou, mas alertou que nossas qualidades deviam ser usadas para solucionar o desaparecimento de Cristine, apesar de que eu achava que todos ali estavam com este mesmo objetivo e que todos com certeza iriam fazer de tudo para encontrá-la ou para ajudar o detetive a encontrá-la. Comecei a pensar sobre os próximos passos quando fui interrompido pelo detetive Claudio que falou olhando para todos e para ninguém em especifico.

– Vamos aos fatos. Cristine está desaparecida desde ontem, o último lugar que sabemos de certeza que ela esteve antes de desaparecer ou ser sequestrada foi aqui. Analisamos o circuito interno no hall de entrada do prédio, temos o horário que ela chegou e o horário que ela saiu. Depois disso não temos mais informações. Recebemos uma ligação ontem a noite dizendo que Cristine tinha sido sequestrada. Fomos até a residência dela e não havia ninguém em casa, achamos melhor montar uma campana e observar cada um que chegava e só depois comunicar o desaparecimento dela. Coisa que iriamos fazer hoje de manhã, mas a ligação de seu amigo Zé da baga para vocês já deve ter feito com que eles saibam do ocorrido.

– E como você sabe que ela esteve aqui. Perguntei

– A ligação de ontem a noite partiu do próprio celular dela depois foi jogado em uma lixeira próximo daqui. Rastreamos o GPS do celular e encontramos ele a duas quadras daqui. Depois começamos a vasculhar as câmeras próxima ao local e podemos constatar que ela esteve aqui. Vocês poderiam me responder o que ela teria vindo fazer aqui? Taj se adiantou:

– Ela veio aqui porque queria fazer uma reportagem sobre o estilo de vida dela para a revista, estávamos combinando os detalhes da entrevista e a nossa visita em sua casa para as fotos.

– E vocês não notaram nada diferente nela? Pergunto o detetive.

Meu Deus, pensei eu, nada de diferente!!, Taj havia nos contatado que ela suspeitava que alguém estava tramando contra ela, que ela tinha vindo aqui pedir ajuda, e o detetive estava pergunta se havíamos notado algo diferente.  Taj, com uma naturalidade incrível respondeu.

– Não, não notamos nada de diferente, mas se lembrarmos de algo, ou soubermos de algo iremos procura-lo e teremos o maior prazer em servi-lo.

O detetive estava fazendo menção de sair, mas arriscou mais uma cartada:

– E hoje de manhã, com a família dela, perceberam algo que possa nos ajudar?

Taj respondeu novamente.

– Hoje de manhã, quando fomos lá ainda não sabíamos do desaparecimento de Cristine, então não vejo como poderíamos notar algo diferente senhor Cláudio.

Outra meia mentira de Taj, não sabíamos que Cristine havia sumido, mas fomos lá porque ela se sentia ameaçada, portanto, fomos lá com intenção de procurar algo diferente, de descobrir sobre o comportamento de cada um, e talvez ajudar o detetive com as nossas observações. Minha cabeça dava voltas, achei que não estava sendo honesto com aquele detetive, e que de certa forma estávamos escondendo algo, não gosto de ficar nesta situação, de estar com a sensação de estar fazendo a coisa errada, ou de estar como em uma sala com fumaça que impede de ver o que realmente está acontecendo. Enquanto eu tentava ordenar os pensamentos, o detetive saiu, deixou um cartão com Taj, que agradeceu e o conduziu até a porta, depois passou por mim e falou baixinho em meu ouvido:

– Confie em mim.

E falou alto para todos ouvirem:

– Vamos lá temos muito que trabalhar.

Não sabia se ela estava falando da reportagem com Cristine, se estava falando dos serviços normais da revista, ou se estava se referindo do desaparecimento de Cristine. Neste momento, Zé da baga começou a trabalhar. Tedo também e Sandy voltou para sua mesa. Taj me chamou:

– Vamos ao escritório, sua “assistente” tem um assunto sério para falar com você.

Eu entrei, sabia que ela não tinha gostado daquela estória de assistente, já estava preparando uma desculpa, tipo, eu falei aquilo para impressionar, e…

– Que estória foi aquela de assistente? Taj perguntou. Mas antes que eu respondesse ela completou.

– Eu gostei. A partir de hoje vou ser sua assistente e, presta bem atenção, você não precisa fazer nada para impressionar, você já impressiona pelo que você é, e o mais importante, você já impressiona as pessoas que tem que impressionar. Não se preocupe com o Cláudio, ele está só cumprindo sua função, e nós vamos ajuda-lo mais do que ele imagina.  Eu tenho um plano. Vamos arrumar um emprego para o Zé da baga de jardineiro naquela casa, e assim vamos poder acompanhar os passos de cada um e descobrir se algum deles tem alguma coisa haver com o desaparecimento de Cristine. Oque você acha?

Eu sabia que o único que poderia entrar naquela casa seria o Zé da baga, pois lá ninguém o conhecia, colocá-lo lá dentro como jardineiro também não seria difícil, até aí o plano estava perfeito. O problema seria depois, como iriamos controlar o zé lá dentro, como fazer para ele não entregar todo o plano, e depois pensando bem ele e alannilson no mesmo lugar, seria uma mistura um tanto explosiva, mas no fim o plano poderia dar certo. Afinal era um plano, e nós só tínhamos ele. Além do mais era um plano criado por Taj e ela não costumava errar. Concordei e falei:

– Ok e o que nós vamos fazer enquanto zé estiver lá dentro? O que vamos fazer enquanto isto?

– Você notou alguma coisa que aquela família disse e que possa nos ajudar? Taj perguntou, mas não era uma pergunta, ela falou com aquele tom como se tivesse alguma coisa muito importante que foi dito lá, que era importante, e que ela estava me dando pistas, para eu relembrar. Fiz um esforço, franzi a testa para que Taj visse que eu estava me esforçando, coloque a mão na cabeça e depois balancei negativamente, já estava dramatizando. Taj riu e falou.

– JP disse que achava que Cristine tinha ido fazer o cabelo, para as fotos da entrevista. Certo?

– E…

Eu perguntei devagar para Taj, como quem pede mais pista.

– E nós vamos procurar o salão de beleza que ela frequenta para saber se descobrimos mais alguma coisa.

Levantou, deu um pulo e disse:

– Vamos, temos trabalho, precisamos descobrir o salão, precisamos ir lá, precisamos falar com o Zé, precisamos arrumar trabalho para ele.

Neste momento zé entrou na sala e perguntou tímido e triste

– Me arrumar trabalho?

Capítulo 9

Investigando.

Hora do Zé da Baga trabalhar.

Taj se apressou em acalma-lo, Zé demorava um pouco para entender as coisas e quando as entendia as vezes entendia errado.

– Zé precisamos investigar um pouco mais sobre a casa de Cristine, mas todos lá já nos conhecem, você irá se apresentar como jardineiro, diga que Cristine o contratou, que já está tudo acertado, eu acredito que eles não irão se opor, já que o jardim é enorme, algumas ferramentas estão fora do lugar e não vimos nem um jardineiro por lá, além do mais tem um orquidário enorme, mas Leticia não se mostrou muito interessada pelas orquídeas, portanto acredito que você passara despercebido e assim poderá verificar se há alguma coisa estranha acontecendo naquela casa.

– Orquídeoque? Perguntou Zé que nunca tinha ouvido falar em orquidário, e também nunca tinha cultivado planta nenhuma, pelo menos não as permitidas por lei. Disfarce perfeito, para um plano perfeito, eu pensei já prevendo que não daria certo.

– Basta você ir lá e cuidar do Jardim, não se preocupe, vai dar tudo certo sim. Falou Taj para o Zé, mas olhando para mim.

Saímos e levamos o zé para deixa-lo em seu “novo emprego” ao chegarmos perto da residência, o Zé desceu e ainda perguntou

-Orquideoquê mesmo?

Fomos até o salão de beleza que Cristine costumava ir, enquanto eu dirigia Taj comentou:

– O Detetive Claudio, está nos seguindo, mas isto é bom, assim ele vai ver que nós não temos nada a esconder a respeito deste caso e que nossa intenção é somente ajudar.

Como assim não temos nada a esconder, porque ele pensaria que pudéssemos ter? é claro que Cristine nos procurou, é claro que Taj havia mentido sobre o real sentido da visita de Cristine, dizendo que ela tinha vindo por causa de uma reportagem sobre o estilo de vida dela, mas eu sabia que a reportagem veio depois, na verdade Cristine se sentia ameaçada, e taj conversou com ela e não nos contou o verdadeiro conteúdo da conversa, eu me sentia muito envolvido com todo aquele caso, e prestes a me envolver mais ainda, eu me sentia escondendo muita coisa, apesar de não saber o que estava escondendo. Estava pensando em tudo isto e toda a complicação que ainda poderia vir e falei em tom o mais casual possível.

– É, não temos nada a esconder.

Paramos em frente ao salão, pensei em perguntar a taj como ela sabia que aquele era o salão que Cristine frequentava, mas se ela não quisesse me responder poderia inventar mil formas para justificar como ela sabia daquilo. (Poderia dizer que já tinha visto Cristine ali, poderia dizer que tinha visto nas colunas sociais) com certeza não valia a pena perguntar pois ela so me falaria a verdade se ela quisesse e eu jamais saberia se era verdade ou não.

Taj antes de de descer do carro falou:

– Deixe tudo comigo. E antes que eu respondesse ela desceu do carro. Pensei em protestar, ela queria que ficasse sempre tudo com ela, estava me sentido um motorista apenas, achava que eu poderia colaborar mais, ou tomar mais decisões, neste momento percebi o carro do detetive claudio estacionando um pouco mais longe do salão e me lembrei que Taj havia percebido a presença dele e eu não, achei melhor deixar as coisas tudo com ela.

Entramos no salão, não havia muitas pessoas, a proprietária se chamava Edna, estava com um cabelo azul platinado e era uma mulher muito bonita. Nos atendeu achando que Taj fosse fazer algum corte, (quem em sã consciência cortaria aqueles lindo e longos cabelos claros) mas logo percebeu que nossa visita tinha outro objetivo. Edna contou que Cristine não estivera ali hoje e sim no dia anterior, disse que iria precisar de uma peruca loira porque iria participar de uma entrevista para uma revista e como já tinha aparecido muito na mídia com seus cabelos negros, gostaria de “causar” desta vez com um “look” totalmente diferente, que escolheu uma lindo peruca totalmente loira, com os cabelos comprido e que ela tinha se tornado irreconhecível, tinha se tornado “outra pessoa” muito mais bonita até “ se é que aquela mulher poderia ficar mais bonita” riram as duas e a conversa descambou para madeixas, apliques cabelos e eu não prestei mais atenção na conversa. Olhei para a rua onde o carro do detetive claudio estava estacionado e pensei em ir conversar com ele, mas isto estragaria o “disfarce” dele. Daí, pensei no zé baga, como ele estaria se saindo. Mais tarde, no final desta estória toda, quando paramos para conversar como tudo aconteceu, o zé me contou que que após deixarmos ele na frente da casa e sairmos para vir para o salão ele tocou a campainha da casa e Alannilsom o atendeu, o que para nós foi uma sorte, pois este era o mais lento de todos eles e com certeza o que menos questionaria o zé dentro da residência como jardineiro. Alannilsom logo acreditou que Cristine tinha contratado e também pensou em sua “flor” Leticia que agora poderia cuidar melhor de seu “hobby” as orquídeas e o orquidário.

Zé entrou e logo de cara sentiu o olhar inquisitivo de leticia e também a desconfiança de JP mas antes que alguém pudesse dizer algo ele se adiantou.

– Preciso cuidar do “urtigário” e agradeceu a Deus por ter dito aquela palavra sem levantar suspeita de que na verdade ele não era jardineiro coisa nenhuma.

Leticia fez sinal para JP e a partir desde momento Zé da Baga passou a correr perigo.

Enquanto isto no salão comecei a demonstrar impaciência e Taj percebeu, agradeceu Edna pela informações e veio em minha direção. Passou tão perto de mim que quase encostou os lábios em meus ouvidos e sussurrou “ok , você que emoção, vamos ter emoção.”

Fomos para rua e quando cheguei perto do carro percebi que estava sem as chaves, pior ainda, percebi que Taj estava com as chaves do carro e entrando pela porta do motorista. Aqueles lábios perto do meu ouvido, aquele sussurro com aquela voz que eu achava linda e incomum e que todo mundo achava normal, e principalmente a proximidade do seu corpo todo com o meu, fizeram com que eu nem percebesse como ela pegou as chaves de mim. Aliás não lembro nem se ela pegou as chaves do meu bolso ou das minhas mãos. Quando eu entrei no carro ela disse.

– E a emoção vai começar deixando o detetive para trás.

Ligou o carro,  saiu calmante do estacionamento deu seta que iria entrar para a esquerda e derrepente acelerou e entrou para a direita, deixando um transito confuso atrás de nós, pois ao fazer a manobra, um veiculo que vinha na nossa direita teve que freiar bruscamente e até que ele entendesse o que estava acontecendo e voltasse a normalidade do transito, o carro do detive claudio havia ficado sem opção de acesso, e perdido o contato conosco.

– Foi mais fácil do que eu pensei. Taj ria.

-voce quase provocou um acidente, eu poderia ter me machucado, aquele carro quase bateu em mim…

– quase!, quase!, poderia! Poderia!, mas nada disto aconteceu, quase não é provocou, quase não é bateu, poderia não é sofrer um acidente. Você não viu nada ainda. Agora nós vamos meter o “louco” pois nós temos uma amiga desaparecida, e um ninho de cobra para desmanchar, por falar em ninho, como será que está o nosso jardineiro?

Já íamos saber. Chegamos na casa de Cristine, eu torcia para que zé da baga não demonstrasse que nos conhecia, se não o disfarce iria todo por agua abaixo. Fomos recepcionados por JP e ao entrarmos na casa, percebemos que todos passaram o tempo todo reunidos, e aguardavam ansiosos por notícias, e estavam realmente preocupados. Leticia foi a primeira a perguntar.

– Descobriram alguma coisa de Cristine? Ela foi sequestrada mesmo?

Taj disse que ia contar tudo, mas queria ir para o jardim, naquele banco onde estávamos todos quando recebemos a notícia do desaparecimento de Cristine. Todos concordaram e foram saindo um a um para o jardim e eu pude mais uma vez admirar a perfeição do corpo de Leticia, aquela mulher poderia fazer qualquer homem fazer qualquer coisa que ela quisesse, e aquela palavras ficaram martelando minha mente “ qualquer coisa” “ qualquer coisa que ela quisesse”

Ao chegar ao jardim Taj começou a contar tudo, do celular, da peruca, do desaparecimento, ninguém percebeu que Cristine não havia dormido em casa e isto era algo que eu preciso investigar melhor, mas no momento tive uma ideia e falei:

– Vou dar uma olhada por aí, pelo orquidário ver se descubro algo que possa nos ajudar a localizar Cristine.

Alannilsom falou:

– Se você for no orquidário, você vai encontrar o Dr José da Baga, ele é o novo jardineiro que Cristine havia contratado, ele é muito louco e divertido.

Neste momento, apesar da situação ser de desaparecimento de uma pessoa da família, todos riram dizendo, sim muito louco e muito divertido. Todos estavam rindo, (menos Letícia) Zé da Baga tinha cativado todos, (todos menos Letícia e por isto precisamos tomar cuidado).

Ao chegar ao orquidário, escutei um pequeno chamado, mas não vi ninguém, depois percebi que o chamado vinha de um arbusto e logo recebi a explicação.

– Gostou do meu disfarce? Falou Zé da baga, do interior de um arbusto com muitas folhas e pensei, com certeza um arbusto que fala não vai chamar a atenção de ninguém e falei.

– Perfeito. Perfeito disfarce. Descobriu alguma coisa?

-Sim. Descobri muita coisa.

– O que você descobriu? Perguntei ansioso.

– Você sabia que estas orquídeas dão flor somente uma vez por ano, no máximo duas?

– Zé, eu não tô falando disto, eu quero saber é se você descobriu outra coisa.

– Ahh sim, descobri uma coisa que eu nunca imaginei, e duvido que você tenha imaginado também.

– Ok zé me conta o que é que você descobriu?

– Você sabia que a baunilha vem das orquídeas?

Aquela me derrubou, realmente eu não sabia que a baunilha vinha das orquídeas, e nem queria saber, eu queria saber era de Cristine, se ele tinha descoberto alguma coisa ou se havia alguma coisa suspeita, mas não resisti e falei:

-É mesmo Zé, a baunilha, me conta, me conta.

E ele começou a contar.

Capítulo 10

Acaba tudo.

Fim.

 

E ele contou e eu me deliciei com cada parte daquela descoberta. Era realmente prazeroso ver o zé contando cada detalhe das orquídeas, mas de repente, me lembrei do motivo de estarmos todos, ou quase todos ali.

– Zé eu preciso saber o que você descobriu em relação a casa. Em relação ao sumiço de Cristine.

Ele me olhou com uma cara “ah porque você não falou antes” e falou.

– Ah porque você não me falou antes, é o seguinte, Letícia a cunhada, esposa de Alannilsom é muito gananciosa, ela quer ficar com toda a fortuna da família, ela já tem uma parte por estar casada com o irmão de Cristine, agora ela está seduzindo Kado o filho de Cristine e por consequência o herdeiro da parte de Cristine na fortuna, e também está seduzindo JP, pois assim ela cerca todos os herdeiros possíveis, não sei como ela vai fazer para ser amante de dois homens, sem que seu marido descubra, ou sem que um dos dois descubra, mas pode ter  certeza que ela irá conseguir, aquela mulher é muito esperta, se ela se propôs a este plano tenha certeza que ela irá executar bem embaixo dos nossos narizes.

Pensei como ele tinha descoberto tudo isto em apenas uma manhã, pois eu estava há algum tempo estudando aqueles integrantes da casa, e confesso que esta possibilidade até me passou pela cabeça, mas não com esta riqueza de detalhes e com esta certeza, para chegar uma conclusão dessas eu precisaria de mais informações, precisaria saber as conclusões do Tedo que por sinal até aquele momento não tinha me passado informação nenhuma. Como o Zé da Baga teria chegado aquela conclusão? Que método ele empreendeu para obter resultado em tão pouco tempo e de forma tão conclusiva? Ou ele estaria apenas delirando, afinal naquele orquidário havia muitas plantas digamos suspeitas. Resolvi perguntar.

– Como você chegou nessa conclusão zé?

– Simples, Leticia me contou.

Ah!! Assim sim. Desse jeito dá para acreditar. Leticia contou pronto está resolvido. Ah Zé da Baga me poupe, eu tenho tanto para investigar, tanto para correr atrás e você me vem com essa viagem maluca, deve ter tomado chá de alguma planta além do mais…

Leticia estava em pé na porta do orquidário, novamente só vi sua silhueta, depois ela se aproximou calmamente, torci para que ela não tivesse escutado a baboseira que o zé tinha falado, pois aquela asneira ia deixar ela na defensiva e assim dificultar ainda mais minhas investigações quando ela falou:

– É verdade, eu estava planejando tudo isto…

Opa, agora a coisa está tomando um rumo fora do meu controle, estou começando a ficar perdido, as informações estão atropelando meu raciocínio, a própria Leticia está admitindo tudo isto que o Zé da baga falou, então ela sabe onde está Cristine e…

– … mas eu não sei onde está Cristine. Não sou responsável pelo sumiço dela. Eu casei com Alannilsom pensando somente no dinheiro dele, mas nunca tinha parado para pensar que ele me amava de verdade. Depois comecei a viver neste luxo, pensei em ter tudo isto, mas eu já tinha, eu já desfrutava de uma coisa muito importante que eu nunca tive de verdade que era a família, enquanto planejava seduzir Kado, vi o quanto ele amava sua mãe, o quanto eu seria cruel se destruísse esse amor, se fizesse algo de mal para Cristine, com JP aconteceu o mesmo. Pensei em seduzi-lo mas vi como ele ficou arrasado com o sumiço de Cristine, como era importante que todos nós estivéssemos juntos como uma verdadeira família e por último percebi o quanto Cristine nos ama, como ela nos mantém unidos, sem artifícios, sem jogos ou sedução, simplesmente sendo mãe, esposa e irmã, simplesmente sendo o fio que une todos nós tão diferentes em um só desejo de união. Então, quando recebi a notícia do desaparecimento de Cristine é que me dei conta da burrice que estava planejando, como eu iria destruir tudo que tinha para ter aquilo que todos nós já tínhamos, Cristine nunca nos negou nada, era tudo nosso e eu não tinha me apercebido disso. No momento em que ela sumiu me desesperei só de pensar se algo de mal acontecesse a ela. Acredite eu estou muito arrependida de tudo, mas não fiz nada a Cristine.

É claro que eu não acreditava em uma palavra dela, aquela mulher era muito esperta, e seria capaz de simular tudo aquilo para desviar minhas suspeitas, ela podia enganar o Zé da Baga, coitado, mas a mim não, a mim você não engana, não acredito em uma palavra sua além do mais…

– Nós acreditamos em você.

Falou Taj da porta do orquidário.

– E não se preocupe Cristine está bem.

Comecei a parar de ter surpresas, estava confuso e Taj falou:

– Eu sei que você está a confuso, mas vou te explicar tudo e você vai entender, o que Leticia falou é tudo verdade, nós acreditamos nela e Cristine está muito bem. Na verdade, ela está vindo para cá agora. O detetive Cláudio e o Tedo foram buscar ela em um hotel da cidade, onde passou esses dias em uma suíte com uma linda peruca loira, desfrutando o anonimato. Quando Cristine nos visitou na redação, disse que suspeitava que Leticia estava tramando alguma coisa contra ela, mas que sabia que no fundo Leticia era uma pessoa boa. Cristine não sabia como agir com esta situação. O resto você já sabe, pedi para ela ir para um hotel. Convidei meu amigo Cláudio que é detetive para dar um realismo a tudo, não foi comunicado a polícia nenhum sequestro pois não houve sequestro algum, deixei o Tedo a par de tudo para me ajudar na logística e não te contei nada para que você agisse naturalmente e assim dar mais veracidade a toda esta nossa armação. Como você pode ver deu tudo certo, Leticia caiu na real de o quanto é importante viver em harmonia, que o plano dela, por mais esperta que ela fosse, seria muito difícil colocar em prática, além de ser desnecessário pois ela tem acesso a todos os benefícios que todos da casa tem.

Concordei com tudo, menos com a parte de que eu não sabia de nada, na verdade eu já tinha percebido tudo desde o começo, mas se o plano de Taj era de que eu agisse como se não soubesse de nada, assim o fiz, além do mais…

Neste momento Taj passou por mim e falou baixo no meu ouvido.

– Me engana que eu gosto.

Em seguida entraram na sala, Alannilsom, Kado e JP logo em seguida ainda o detetive Cláudio, Tedo e Cristine. Eu quis dizer que sabia do plano, que tinha feito teatro aquele tempo todo para que ninguém desconfiasse, mas não foi possível, pois Leticia correu para abraçar Cristine, um abraço verdadeiro, de amor e arrependimento ao mesmo tempo. Os demais também abraçaram ela, mas JP Kado e Alannilsom achavam que aquela comemoração era pela libertação de Cristine e não pela libertação de Leticia. Detetive Cláudio e Tedo sabiam de tudo e não falavam nada e eu, bem eu continuava desempenhando meu papel de surpresa pela libertação de Cristine e por mais um caso por mim solucionado.

Leticia chorava e dizia:

– Me perdoa Cristine?

– Sim, claro que sim.

Alannilsom começou a rodopiar e disse que ia buscar um champanhe para comemorar.

Fim