Entrevista Deise Duarte

Deise Duarte é encantadora de clientes, escritora e mãe dos filhos mais bonitos da cidade.  Se define como uma carente emocional em recuperação.  Nasceu na cidade de Criciúma/SC em 85 e hoje tem um pé preto e outro na Ilha da Magia. É formada em Processos Gerenciais, atua na área comercial, mas, é pelas palavras que o seu coração bate mais forte.

Bons & Novos:  Você anunciou recentemente nas redes sociais que está escrevendo seu primeiro livro. Do que se trata?

Deise: É um livro de crônicas.  Onde eu vou contando sobre o meu jeito de ver a vida, de encarar o cotidiano, de vencer os pequenos obstáculos diários como estacionar o carro, não fugir da dieta ou conseguir pôr as séries em dia. É um livro que fala das coisas que todo mundo faz ou já fez. Fala de medo e coragem, de erros e acertos. São as minhas histórias, mas,são as histórias de todo mundo.

 

Bons & Novos:  Quando você decidiu escrever este livro? O que te motivou a fazer isso?

Deise: Eu narro histórias desde sempre. Me lembro de ser uma criança que falava sozinha, perguntando e respondendo pra mim mesma as coisas que estavam na minha cabeça.

Quando aprendi a escrever passei essas palavras para o papel e me enchia de alívio por saber que esses pensamentos estariam guardados para sempre.

Tinha agenda, diário, bloquinho…Adorava produzir redações na escola.

Desde os 16 anos escrevo em fotolog, blog, rede social e com o passar do tempo percebi que as pessoas se identificam com os textos. Sempre encontro alguém que diz que chorou ou sorriu lendo algo que eu escrevi, ou que eu tenho um jeito ímpar de ver as coisas. Isso começou a me colocar com uma postura mais cuidadosa em relação aos textos nos últimos anos. Uma vontade de “ajudar” as pessoas com as minhas palavras.

Em julho do ano passado publiquei uma carta para o meu filho que estava de aniversário e várias mães me contaram ter mandado o texto para os seus filhos porque eu estava dizendo o que elas queriam dizer. Foi nesse momento que eu vi que estava pronta pra dividir isso com mais pessoas e decidi escrever o livro.

 

Bons & Novos Pela forma como você fala, o livro fala do seu cotidiano e da sua vida pessoal, né? É possível perceber que você vai contar muito do que acontece na sua vida. Realmente é isso?

Deise: As crônicas tem basicamente as minhas experiências, sim. Mas, tem também ficção. Tem encontros que só aconteceram na minha cabeça. Diálogos que eu gostaria de ter tido, mas, não tive. Tem muito sentimento capturado das conversas com os meus amigos, tem muito cotidiano de gente normal, que saí de casa sem tomar café da manhã porque tá sempre atrasada. É a minha história e as minhas percepções, mas, como eu sou uma pessoa extraordinariamente comum é a história da maioria das pessoas.
Bons & Novos Escrever textos onde o personagem principal das histórias é você mesmo, me parece não ser algo fácil. Neste contexto, qual foi o ponto mais difícil de escrever?

Deise: As minhas histórias envolvem outras pessoas. Eu sinto um pouco de receio ao expor essas pessoas, mesmo que seja com histórias positivas. E nem sempre, elas são.

Eu falo de alguns relacionamentos amorosos que mais parecem histórias circenses, de tanto que eu fui feita de palhaça. (Risos) Isso me permite dar um tom leve aos textos e tenho certeza que se a pessoa ler, ela é capaz de se identificar. Mas, tem relacionamento tenso. Relacionamento que acaba com choro, com dias deitada no quarto escuro, com ligações e encontros recheados de palavras horríveis. Esses textos são os mais difíceis pra mim, porque me sinto revivendo essas histórias e de alguma forma é como se eu tivesse acusando alguém pelo que aconteceu, mesmo que eu saiba que não é essa a intenção do texto.

Bons & Novos O lançamento do livro está previsto para julho. Para atingir esse  objetivo, você está se dedicando integralmente a esse projeto?

Deise: Na verdade esse é o sonho da maior parte dos escritores, né? Mas, não é possível fazer isso no momento.

Eu trabalho, tenho dois filhos, uma pilha de preocupações diárias e o livro vai se encaixando no meio disso tudo. Ter determinado uma data e ter alguns amigos me cobrando os prazos de entrega tem ajudado bastante a manter o foco e aproveitar todo o tempo livre para isso. Tem sido um grande desafio, mas, é também a realização de um grande sonho.

 

Bons & Novos Se o tempo é um grande desafio nesse momento de preparação do livro, imagino que também seja um desafio encontrar inspiração. Como isso acontece? Tem algum momento que você se sente mais disposta a escrever?

Deise: Essa é uma pergunta bem difícil de responder. A sensação que eu tenho muitas vezes é que as palavras estão ali, prontas para serem despejadas no papel.

De vez em quando, numa desordem imensa. Depois que eu escrevo, levo um susto porque o texto não parece fazer sentido. Daí, eu releio com calma, ponho as vírgulas e os pontos. Está pronto!

Em outros momentos, eu sento no computador e não consigo passar do primeiro parágrafo.

Geralmente os textos nascem depois de alguma experiência pessoal ou de alguma memória. O que me emociona de fato é o que me inspira.

Bons & Novos Além de inspiração, escritores costumam buscar referências em outros autores. Quem são os seus escritores favoritos e de que forma influenciam no seu livro?

Deise: Meus escritores favoritos são Rubem Alves, Martha Medeiros, Tati Bernardi e a irlandesa Marian Keys. Acredito que não tem como escrever sem roubar um pouco do que a gente lê. Por mais que não possa comparar meu trabalho com o deles, são realmente uma grande fonte de inspiração.

 

 

Hoje temos o prazer de apresentar a 2a entrevista de Deise Duarte Escritora para o site www.bonsenovos.com.br e que foi publicada na 6a edição da Revista Bons & Novos Negócios 

1-Quem é Deise Duarte, antes de ser escritora

Sou formada em Processos Gerenciais, trabalhei como gerente de sucesso cliente em uma empresa de Software de Gestão Financeira. Sou completamente apaixonada pelas palavras e isso faz parte da minha vida desde muito cedo, tanto nas atividades escolares, nas redes sociais ou no meu trabalho.
Sou mãe de dois meninos e sempre escrevi sobre as minhas experiências com a maternidade, e isso fez com que muitas pessoas se identificassem com as minhas histórias.
A verdade é que apesar de sermos seres tão diferentes e únicos, temos milhões de coisas em comum com os outros e gostamos dessa comunhão e pluralidade. Quando nos vemos na imperfeição do outro encontramos um pouco de paz e é essa Deise imperfeita que eu sempre procuro trazer para as minhas linhas.

2 – Quando você “descobriu” que era escritora?

Eu escrevo desde que fui alfabetizada. Não tenho medo de errar ao afirmar que nasci escritora. Com 6 anos apresentei um poema na escola e tive que lutar para receber os créditos de sua autoria, pois os professores não conseguiam acreditar que um texto tão empático e maduro tivesse sido escrito por uma criança.

3- Seu primeiro livro é um livro de Crônicas. Porque escolheu esse gênero?

É o meu estilo literário favorito. Acho que a crônica permite tanto ao leitor quanto ao autor uma liberdade incrível. Eu, enquanto escritora faço de qualquer coisa uma história: comprar meias, uma parada no sinal, uma conversa com um estranho. O leitor se põe no meu lugar e cria a sua própria cena através da minha ótica. Eu acho isso fantástico!

4- Então, sobre o que é Do Quinto Andar

Meu livro traz 62 crônicas onde eu falo de cotidiano, família, amizade, amor e maternidade. É um passeio sobre o dia a dia de todos nós, com o meu olhar passando por essas experiências. Eu tento trazer a beleza, o amor e a fé que tenho nas pessoas para os textos e isso me aproxima do leitor, especialmente em dias em que as notícias nos afastam de enxergar a vida com leveza.

5- Do quinto andar carrega muito da autora, concorda? Nas 107 páginas do livro é possível perceber o quanto você expõe sua rotina, suas fragilidades, seus medos. Isso não me parece algo fácil. Nesse contexto, qual a parte mais complicada?
O livro traz muito do que tenho em mim, sim. Mas, tem ficção. Tem encontros que só aconteceram na minha cabeça. Diálogos que eu gostaria de ter tido, mas, não tive. Tem muito sentimento capturado das conversas com os meus amigos, tem muito cotidiano de gente normal, que saí de casa sem tomar café da manhã porque tá sempre atrasada. É a minha história e as minhas percepções, mas, como eu sou uma pessoa extraordinariamente comum é a história da maioria das pessoas. A parte mais difícil é quando vou expor outras pessoas que participam da minha vida sem que elas se sintam invadidas ou magoadas.

6- Algumas pessoas falam em “inspiração”. Você acredita que isso exista ou segue algum processo criativo que te ajuda a escrever?
Todos os meus textos que estão no primeiro livro foram escritos sem nenhum processo. Textos mais soltos, mais leves, pouco elaborados e que eram criados a partir do que faziam sentido para mim, conforme eu ia experimentando. Uma emoção, uma experiência virava textão.  Recentemente, com a ajuda profissional de um coach conheci algumas técnicas para liberar a criatividade e tenho conseguido produzir textos mais robustos, que são fundamentais para quem pretende escrever todos os dias, pelo menos um pouquinho. Não dá para sentar e esperar por uma luz que guie as mãos pelo teclado (apesar de que, é maravilhoso quando isso acontece, hehe).

7- Cada vez mais se discute sobre a falta do hábito de leitura e sobre os erros gramaticais e de ortografia, especialmente entre os jovens, ainda em idade escolar. O que você pensa sobre isso?
Somos bombardeados por informação e nem sempre essa informação é de qualidade. A internet, assim como a TV oferece conteúdo e quem escolhe o que vai consumir é o usuário. Cabe a cada um determinar o que vai ler, estudar e absorver. Não podemos culpar a internet pelos erros de português dos adolescentes, porque a minha geração também escreve muito mal e não tem o hábito de leitura. O celular compete a atenção com o livro, sim! Mas, nada impede que estejamos consumindo conteúdo de qualidade através dele. Só não podemos nos manter na superficialidade dos memes e achar que somos especialistas em qualquer coisa por isso, né?

8- Um dos maiores desafios dos escritores, especialmente os locais é a divulgação das suas obras. Como você se sente em relação a isso?
Plenamente satisfeita e feliz.
Criciúma abraçou o meu livro de uma forma maravilhosa. Não só pela aquisição dos exemplares, mas também pelos feedbacks. Encontrar as pessoas que leram o livro e que se emocionam com as histórias e levam-nas adiante. Gente que se emociona porque através das minhas memórias visita suas próprias lembranças e faz seus planos para o futuro, me deixa muito feliz e emocionada.
Tenho ocupado espaços junto com escritores que eu admiro e respeito, feito palestras em escolas, participações em feiras e sempre recebo um carinho muito grande das pessoas com a minha obra e com o meu trabalho.
É gratificante.