Deise Duarte 4° texto

Não posso esconder que estou sempre a espera.
Não há um segundo que eu não esteja esperando: a porta abrir, a visita chegar, o vinho gelar ou o leite ferver.
Vivo no tempo futuro.
E viver no futuro quando o ano está prestes a acabar é algo mais comum.
Enlouqueço!
Estou imersa em sonhos, planos e desejos de um futuro melhor e vejo que nos sentimos ainda mais ansiosos e infelizes enquanto desenhamos um futuro perfeito, olhando pro nosso passado que sempre parece inglório.
Há sempre a certeza de ter feito menos do que deveríamos, de não ter atendido, surpreendido, encantado. Em tempos de reflexão, somos cruéis conosco e não permitimos ver o quão grandiosas foram nossas conquistas.
As listas de desejos perdem o valor depois que eles foram atendidos e isso nos torna insatisfeitos constantes. O próximo item da lista é sempre mais valioso que o atingido há dois minutos. O carro novo não é mais o melhor do mundo quando tiramos da concessionária.
Ironicamente, a palavra mais usada nas redes sociais em 2017 (no Brasil) foi gratidão.
Uma geração virtual que se diz grata, mas que tem unhas roídas e um caixa de Diazepan nas mãos.
Essa mania de viver no futuro, atrapalha de verdade o presente, mas se é a fim de ano e decidimos que é um bom momento de fazer planos, que sejamos gentis com o futuro e verdadeiramente gratos pelo nosso 2017.
Vamos silenciar todo esse barulho que faz lá fora: fogos de artifício, as revistas femininas, a mídia que nos explora e maltrata. Que a nossa lista de desejos para o ano que vai nascer seja fruto do mais bonito de todos os barulhos: aquele ruído que vem do nosso coração.
deise texto 4

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