Deise Duarte 2° texto

Há um tempo tenho lutado para deixar de falar sobre as coisas que não quero ver.

Ainda que pareça óbvio que o mundo não precisa da minha opinião, vez ou outra acho que ela é indispensável e a ofereço, com muito mais empenho nos temas que eu não concordo e não me disponho a mudar de lado do que nas coisas que eu acredito e são valiosas.

Nem sempre espalhamos as coisas que somos e amamos, mas a energia que nos chama a falar das coisas que rejeitamos, está aí, latente e pulsando em cada um de nós diariamente.

Tenho me perguntado frequentemente o que posso fazer pra me libertar disso, e respiro fundo sempre que minha garganta arranha ou os meus dedos tremem para falar das coisas que eu não quero que cresçam.

Aquele político de quem não se pode dizer o nome, machismo, desigualdade social, violência estão na lista de coisas que não quero encontrar no meu caminho. Ignorá-los não é fingir que não existem, é aceitar que é possível ler uma matéria, informar-se sobre isso sem precisar começar uma discussão sobre isso. É possível ler as notícias sem promove-las. Você não precisa anunciar as coisas que você não quer ver.

Tenho percebido que dedico boa parte do meu tempo a falar sobre temas sombrios e vinha anunciando o que não desejo ver. Ainda que eu fale para mostrar o quanto essas coisas me incomodam, volta e meia estava lá, em discussões acaloradas ou repetindo exaustivamente o mesmo discurso, inclusive para pessoas que assim como eu, veem o problema e se incomodam com os mesmos agouros.

Nos afastamos das coisas que amamos na velocidade da luz e não me parece inteligente dedicar energia a criticar as coisas que não queremos ver.

Entenda que não proponho alienação e a ignorância dos fatos. Acredito que a melhor forma de desenvolvimento é a informação, mas sempre que deixamos de falar dos nossos sonhos para debater os anseios, vamos diminuindo essa energia, esse score de positividade que o universo originalmente possuí.

Decidi fazer uma experiência: trocar meus discursos de indignação por propostas de melhoria, mesmo que sejam utópicas.

É uma atividade interessante, mas que não me faz uma Poliana adulta. Há bom senso e cautela. Escolher mostrar os políticos que me representam, as mulheres que venceram relações doentias, promover a educação e distribuir afeto em gestos e palavras é um jeito de ser o amor que eu desejo ao mundo e me ajuda a escolher o que vale debate.

Você não vai mudar o mundo, é verdade! Mas você não precisa ser mais um anunciador do apocalipse.

Apesar de que muitas vezes, só nos resta torcer pelo meteoro.

meteoro