Dante Bragatto Neto

B&N: Por que optou pela profissão de radialista e como começou sua história no rádio?

Dante Bragatto– Tudo começou no ano de 1977. Eu sempre fui metido a líder, e nem pensava em rádio, antes disso. Fundei um grupo de teatro, um grupo de jovens da igreja católica, isso lá com meus 15, 16 anos. Depois fiz curso e fui árbitro de futebol e futebol de salão. Então, sempre tive facilidade de comunicação, especialmente pela experiência como ator de teatro amador. Tudo isso na cidade de Ivaiporã, no norte do Paraná.
Por estar sempre presente no esporte, jogando futebol, e como árbitro, por ser bastante conhecido na cidade onde vivia, um dia fui convidado a apresentar um programa de rádio, de esportes, ao meio dia, porque o apresentador não compareceu em seu horário. Como eu era metido, fui, assumi o horário, e a partir daí, nunca mais parei. Isso foi em 1977, na rádio Ubá de Ivaiporã. Junto com o rádio, isso aos 17 anos de idade, comecei a ser convidado para participar de um programa de televisão, na cidade de Apucarana – TV Tibagi, canal 11, chamado o Onze em Campo, às segundas feiras à noite. Esta TV era de Paulo Pimentel, ex-governador do Estado do Paraná. Na mesma época também comecei a escrever uma coluna esportiva em um jornal de Apucarana.

B&N: Você fez algum curso de jornalismo ou de rádio, antes, ou durante sua profissão?

Dante Bragatto – Não. Entrei no rádio por acaso, e nunca fiz qualquer curso técnico ou superior. Fui aprendendo e crescendo na profissão. Na década de 70 recebi um registro profissional, como radialista, provisório, e posteriormente, o registro profissional definitivo do Ministério do Trabalho.

B&N: Em quais emissoras de rádio e televisão você trabalhou? E em quais jornais?

Dante Bragatto – No Paraná, trabalhei na rádio Ubá, onde comecei. Depois, na rádio Celinauta (Pato Branco), e rádio Luz (Clevelândia). No Paraná, tive a primeira experiência na televisão, na TV Tibagi, canal 11, de Apucarana. Depois, em 1984, vim para Santa Catarina, contratado pela rádio Difusora de Içara. A partir daí, passei pelas três emissoras de Tubarão, Tabajara (hoje Bandeirantes), Tubá, e Santa Catarina. Estive na rádio Araranguá, por um período curto. Passei também pela rádio Guarujá de Orleans, Verde Vale, de Braço do Norte, e pela Guarujá de Florianópolis, contratado na época apenas para narrar jogos do Criciúma, no campeonato brasileiro. Estive por três vezes na Difusora de Içara, e na rádio Eldorado, onde estou desde janeiro de 2008, é minha terceira passagem. Televisão em Santa Catarina, trabalhei na TV Eldorado, no futebol e no jornalismo, e há muitos com programas na NET/TV a cabo, hoje TV Litoral Sul. Em relação a jornais, escrevi uma coluna por um bom tempo, no início de carreira, no Tribuna do Vale, de Apucarana, e em Criciúma, escrevo hoje no Jornal da Manhã, onde já estive por um bom período, tendo passado pela Tribuna e Diário de Notícias.

B&N: O que mais lhe agrada na sua profissão?

Dante Bragatto – Eu amo a minha profissão. Faço realmente o que gosto, por isso me empenho ao máximo para fazer bem feito, tendo a consciência de que, nesta profissão, se aprende todos os dias. Mas, tudo me agrada. Especialmente no rádio, como narrador esportivo, a certeza de mexer com a emoção das pessoas, me empolga, me entusiasma, me incentiva cada vez mais. No final, o que mais me agrada, é quando termino uma transmissão ciente de que tudo correu bem, de que não houve nenhum problema técnico, e de que fiz uma grande transmissão, especialmente, no caso, hoje, quando o Criciúma vence seu jogo.

B&N: Alguma vantagem especial na sua profissão de radialista/narrador esportivo?

Dante Bragatto – Claro que, como todo trabalhador, a maior vantagem é estar empregado, recebendo meu salário. Mas, fora isso, a maior vantagem na minha profissão, é poder viajar pelo país, e às vezes, fora do país, conhecendo tantas e tantas cidades, aprendendo com outras convivências, com outras culturas. Isto acrescenta muito no nosso conhecimento, à nossa vida. Não tem dinheiro que pague este conhecimento. É a faculdade da vida!

B&N: Como é seu tempo, para a família, já que você atua no rádio, televisão, e jornal?

Dante Bragatto – É uma grande correria, todos os dias. Atualmente como um dos debatedores, no programa Eldorado Debate, das 12:30 às 14:00 hs, e apresentando diariamente também, o Companhia da Noite, das 20 às 22 hs, na rádio Eldorado. Fora isso, tenho outros vários outros compromissos na rádio, já que ocupo a função de coordenador da equipe de esportes, e, como tal, sendo responsável pelas escalas, logística de linhas de transmissão e viagens, etc. Muitas vezes saio de casa perla manhã e volto apenas no final da noite, ou já no início do outro dia. E nos finais de semana, segue a correria, porque profissional da área de esporte não tem final de semana.

B&N: Fora a sua profissão, qual sua maior paixão?

Dante Bragatto – Primeiro, claro, minha família. Tenho esposa, do meu segundo casamento. Tenho três filhos – duas mulheres e um homem – e sete netos. Fui pai, antes do primeiro casamento, aos 14 anos. Depois fui avô com 34 anos. Tudo começou muito cedo na minha vida. E outra paixão que tenho, são os animais, de forma especial os cães. Atuo há muitos anos como protetor voluntário, e sou apaixonado por cachorros, de qualquer raça. Aprendi e aprendo muito, em minha convivência com eles.

B&N: Qual é o seu maior sonho, algo que você ainda não tenha realizado?

Dante Bragatto – Meu maior sonho, algo que não sai de minha cabeça, é um dia ter condições de adquirir uma área, um sítio, algo assim, para poder transformar num local para cuidar dos animais, cachorros, claro, mas outros animais também, com estrutura, com pessoas cuidando, trabalhando no local, tratando e cuidando da saúde dos animais. Hoje eu faço isso, individualmente, tirando dinheiro do bolso, gastando o que não tenho, com clínicas, e é muito complicado. Então, esse é o meu maior sonho, porque Deus já me deu tudo o que preciso para viver.

B&N: Quais suas maiores conquistas nestes quase 40 anos de profissão?

Dante Bragatto – Primeiro, antes de me definir pelo rádio, TV e jornal, a alegria de ter tido meu pai me colocando para trabalhar aos oito anos de idade, quando vendia revistas e jornais, pelas ruas de minha cidade, no Paraná. Depois, por ter tido meu primeiro registro em carteira de trabalho, aos 12 anos de idade (em 1972). E, no desempenho de minha profissão, ter sido escolhido como o melhor narrador esportivo de Santa Catarina, recebendo em 2004 o Troféu Microfone de Ouro, da ACAERT – Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, sendo o único narrador esportivo da região a ganhar este prêmio. Por último, em 2010, ter recebido o Título de Cidadão Honorário de Criciúma, quando, inclusive, fui o orador da turma de homenageados pela Câmara de Vereadores.

B&N: Agora, com 56 anos de idade, e quase 40 de profissão, o que você projeta para o futuro?

Dante Bragatto – Não penso em aposentadoria. Amo o que faço. Só o que peço, é saúde para poder continuar falando em rádio e televisão, e para escrever no jornal. No rádio já fiz de tudo. Fui repórter, fui comentarista, sou narrador e apresentador. O que eu quero é honrar minha profissão e minha família, e seguir trabalhando, com saúde, por muito tempo.