Ela, Maria Mogorim,

A entrevistada desta semana além de escritora e poetisa é também… etc, etc, e etc. Segue um pouco da história dela assim como ela nos contou agora mesmo…porque amanhã talvez ela já conte de outra forma.

B&N: Quem é Maria Mogorim?

Maria MogorimSou Professora, mãe, esposa, poetisa, escritora, contadora de histórias, artesã… e aprendiz de viver cada dia melhor e mais feliz!

B&N: Qual é a sua cidade de origem e como é sua relação com ela?

Maria MogorimNasci em Criciúma e ali morei, no bairro Pinheirinho, até meus oito anos de idade. Fiz meu primeiro ano escolar em uma sala cedida pelo Seminário Pio XII, pois na época a Escola Coronel Marcos Rovaris não tinha salas suficientes para atender todos os alunos. Íamos a pé, a escola ficava a cerca de 600m de casa. E algumas poucas vezes, contrariando as recomendações maternas, numa louca, perigosa e inconsequente aventura cortávamos caminho pelo trilho do trem. claro que havia espaço na lateral dos trilhos para nos refugiarmos se o trem aparecesse, tal assustadora serpente sopradora de fumaça…  Morei em Forquilhinha por 4 anos e em Braço do Norte por 14 anos. Atualmente, moro em Içara, onde passei minha mocidade.Vou frequentemente à Criciúma e tento acompanhar  e divulgar as atividades culturais da cidade.

B&N: Seu sobrenome é diferente, qual a origem dele?

Maria MogorimBem, meu nome de registro é Maria Aparecida da Silva. Pois é, eu sei, é um lindo nome! Tanto que tem muuitas Marias Aparecidas da Silva por aí. Há um tempo atrás o cartório eleitoral fez uma pesquisa e só na cidade de São Paulo, havia mais de 65.000 Marias Aparecidas da Silva! Vixi, menino! Viu só que tanta gente com bom gosto para pôr nome nas filhas? Então… quando decidi publicar minhas poesias na internet, percebi que precisava de um nome que facilitasse a busca. Caso alguém quisesse me ler, eu poderia dizer: olha, põe lá no Google o meu nome e vai achar meus escritos. Eu queria um nome com aliteração, sabe? Nome e sobrenome começado com a mesma letra, acho sonoro, gosto! Mas eu não queria pegar um sobrenome que já existisse, tipo: “Medeiros”, “Mendonça”… eu ia me sentir meio que roubando a história de uma outra família, sabe como é? Alguém poderia vir questionar um parentesco e eu ia ter que explicar, muito sem graça, que eu não era daquela família e “tals”… então fui buscar no dicionário, na letra M e encontrei “Mogorim”, uma pequena flor branca silvestre e perfumada! Gostei da sonoridade e do significado, e adotei o nome em 2007, a família me olhou meio desconfiada quando anunciei que iria assinar meus textos e artesanato como Maria Mogorim. Acho que pensaram que estava mais maluca do que de costume… mas sabe como é… maluco não é bom contrariar… rsrsrs O fato é que agora, 11 anos depois de ter adotado este nome artístico, pretendo requerer na justiça o direito de assinar documentos com o nome de Maria Aparecida Mogorim da Silva, para simplificar registros de certificados, etc.

B&N: Como foi sua infância?

Maria MogorimUma infância simples, em uma família de pai mineiro e mãe costureira, quase sem fotografias, pois era um luxo na época. Sou a mais nova de uma família de quatro irmãos. Era uma menina magrela, com uma forte anemia que os médicos não descobriam de onde vinha. Frequentemente ouvia meus tios conversando com minha mãe e dizendo: será que se cria? Como se observassem o filhotinho mais fraquinho da ninhada e temessem por seu futuro… por conta desta anemia, eu não costumava participar das brincadeiras que envolvessem corridas, jogos físicos e não aprendi a andar de bicicleta… a menina que se cansava à toa, brincava de bonecas e amava os livros mesmo antes de aprender a ler. Minha mãe e meu pai fizeram só os primeiros anos primários e em casa quase não comprávamos livros. Mas minha madrinha de batismo Dona Adília, a Madrinha Dila, como eu a chamo, irmã de minha mãe, gostava de me presentear com livros. As filhas dela, minhas primas, liam as histórias infantis pra mim e como eram na maioria rimadas, facilitavam a memorização, então eu, que ainda não sabia ler, decorava as histórias. Quando chegava uma visita eu aparecia com um livro e assim, toda prosa, fingia que lia a história. Foi aí que me apaixonei não só pelos livros, mas também pela poesia.

B&N: Como foram suas primeiras experiências profissionais?

Maria Mogorim: Desde que me entendo por gente, sempre quis ser Professora. Então cursei o Magistério no Colegião, o Colégio Sebastião Toledo dos Santos, em Criciúma. Quando me formei (em 1900 e bolinha rsrsrs) fiz minha inscrição no estado e a Dona Delçonir, que havia sido minha diretora no Ginásio ( que fiz no Colégio Antônio João, em Içara, e hoje se chama Salete Scotti dos Santos), é quem estava recebendo e preenchendo a papelada da inscrição. Dona Delçonir disse que o Colégio Cristo Rei estava contratando professoras e sugeriu que eu me apresentasse para uma entrevista. As jovens Professoras diziam que o trabalho lá era difícil e as freiras eram muito exigentes, mas mesmo assim fui. A Diretora, Irmã Sineide, me recebeu, entrevistou e fui contratada. Lá trabalhei por 7 anos e aprendi muito. Tenho muito carinho e gratidão por tudo que aprendi lá!

B&N: Quando você “descobriu” que era escritora?

Maria Mogorim: Bom, quando fiz 13 anos minha Madrinha Adília me presenteou com um caderninho com uma linda capa almofadada vermelha (tenho ele até hoje), lá comecei a exercitar a escrita, escrevi por uns dois anos, depois parei… escrevia só academicamente o que os estudos exigiam. Em 2007, por conta de problemas de saúde, decidi reduzir a carga horária de trabalho na escola e passei a fazer caminhadas matinais, fotografando imagens que achava belas ou interessantes. Quando chegava em casa e descarregava as fotos da máquina no computador, as imagens iam inspirando a escrita e voltei a escrever.

B&N: Algumas pessoas falam em “inspiração”. Você acredita que isso exista  ou segue algum processo criativo que te ajuda a escrever?

Maria MogorimA técnica existe e o exercício favorece a escrita, já fiz algumas poesias por encomenda, mas a inspiração é soberana… é ela quem surge, sugere, ordena… às vezes em horários até impróprios rsrs. Por exemplo: estou indo dormir tarde, deito cansada, sabendo que tenho que acordar cedo no outro dia, ponho a cabeça no travesseiro e… vem uma poesia inteira na cabeça, com rima e tudo! Aí, acendo a luz de cabeceira, pego o que tiver ao alcance para escrever (guardanapo, agenda, bloquinho, o que estiver mais perto) e escrevo. Ontem mesmo, estava almoçando em casa, com meu marido Dauto e minha filha Maria Julia, levantei peguei uma agenda e escrevi uma poesia que veio na hora! Uma coisa beem maluca! (hahaha) mas eles não estranham, não mais! rsrsrs

B&N: Quais suaspaixões?

Maria MogorimVixi, menino! Poeta é bicho apaixonado! Não cabe tudo aqui não! (hahaha) Crianças, ensinar, aprender, ler, escrever, contar histórias, plantar, cozinhar, música, teatro, artesanato, cinema… gente, fotografia, boas energias, poesia, folhas, flores, conchas, pedras, cheiros, mato, serra, vinho doce e baratinho, o voo de um passarinho…mar…olhar…olhar o mar…amar…

B&N: Qual é o seu maior sonho, algo que você ainda não tenha realizado?

Maria Mogorim: uhm… poeta também é bicho sonhador… a gente sonha tanto… ah! quero publicar os meus livros (tenho mais 6 prontos, esperando sobrar uma graninha para publicar)… sonho em ver muuitas crianças com acesso aos meus livros… quem sabe algum dia ter um deles entre os livros enviados para as escolas pelas prefeituras, ou pelo PNLD, plano nacional do livro didático… outro sonho… ah…não posso contar esse não… esse vou guardar mais um pouquinho, até ele ganhar mais corpo, ficar um sonho mais fortinho…

B&N: Prefere campo ou praia?

Maria Mogorim: Gosto de natureza, campo e praia… mas a praia, o mar é mais que lazer ou descanso é…necessidade, sabe? Se fico uns dois meses sem ver o mar, começo a padecer de uma salgada melancolia… de um dormir arenoso… tenho algumas poesias dedicadas ao mar e a esse amor que só sei sentir, não sei explicar… e nem preciso, né? Porque paixão é paixão, não carece de explicação!

B&N: Sabemos que nem tudo são flores, tem alguma passagem que te marcou de forma diferente, positivamente ou negativamente?

Maria Mogorim Muitas…eu e todo mundo, né? Cada pessoa é um livro, com seus capítulos bons e ruins… a gente passa por dificuldades e desafios constantes… a gente cai, levanta, se reinventa… Casei muito cedo, aos 16 anos, após 7 anos me divorciei, não tive filhos deste relacionamento. Esse divorcio aconteceu dois meses após o falecimento de minha mãe, que morreu aos 51 anos, vítima de câncer de colo de útero, o que me motivou a trabalhar como voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer, por 6 anos, 3 em Braço do Norte, onde desenvolvi um trabalho de fotografia e resgate da autoestima, com 25 pacientes mastectomizadas, resultando numa exposição fotográfica em outubro de 2014, em Braço do Norte, “As Guerreiras Cor de Rosa”, e 3 anos em Içara. Eu e meu marido estamos juntos há 25 anos e temos nossa amada filha Maria Julia, de 22 anos. Antes dela, perdemos uma bebê, nascida de parto prematuro e complicado, com direito a transfusão de sangue e toda a tensão e insegurança que estas situações trazem para as jovens mamães, principalmente para as que não tem suas mamães por perto… seis meses de gestação, ficou na incubadora menos de 24h… Minha segunda gravidez também foi de risco. Já tive depressão severa duas vezes, tive síndrome do pânico que me impediu de dirigir por 6 anos. Tenho hipertensão desde os 27 anos, fibromialgia (poeta é bicho sensível…), já fiz retirada de útero e ovários, já estive na emergência algumas vezes, olhando a cara assustada do médico com o desfibrilador na mão para me trazer de volta… mas não fui rsrsrs também perdi meu pai em 2014… mas tudo isso vai ressignificando a vida e, por incrível que possa parecer, dando novas cores e sentidos para ela…

B&N: Quem você gostaria que fosse o próximo entrevistado do site www.bonsenovos.com.br ?

Maria Mogorimahh! Menino! Tanta gente legal por aí… já ouviu falar do Ricardo Bernardo? O Herok? É um jovem artista plástico da nossa região que faz uns grafites lindos!  Tem também aquela menina incrível que vai lançar seu segundo romance, a Aline Cabral…ah…tem muita gente interessante!

B&N: Gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?

Maria Mogorim…bom… desculpa a falaçada, Vilmar! Sabe como é… não peça para uma contadora de histórias contar histórias porque ela vai contar… hahaha . A Cris Dias havia falado que era pra divulgar o Concurso da ACTU “A Poesia vai de ônibus”, para convidar os Içarenses a se inscreverem.  Quero aproveitar este espaço para dizer que é muito gratificante ver nosso poema circulando pela cidade, imaginar que ele está sendo lido por várias pessoas, despertando reflexões e sentimentos… É mesmo um lindo projeto da ACTU e a Cris está de parabéns pela ideia e iniciativa, que tem promovido a Poesia na cidade de Criciúma e região!

Vale muito a pena se inscrever! Então fica o convite para todo mundo acordar o poeta que tem dentro de si. Quem ainda não escreveu é uma ótima hora para começar e quem já escreveu, mas não teve coragem de publicar, de mostrar para alguém, esta é a hora! Bora lá, minha gente! Vamos botar as poesias para circular por aí!

B&N: Agradecemos a Maria Mogorim por ter nos recebido tão bem e ficamos a disposição para divulgar o seu trabalho.

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